(Ponto de Vista de Ethan)
— Sabe… É normal que alguns sentimentos mudem… E isso realmente não é um problema. — Comentou o Dr. Fletcher calmamente. — O problema é não ter coragem de encarar essa mudança e terminar machucando duas mulheres.
As palavras dele soaram como um estalo, e num impulso, me desvencilhei da janela, deixando que meus olhos âmbar se apertassem, atentos e desconcertados diante daquilo.
— O que você acabou de dizer? — Minha voz saiu baixa e perigosa.
O Dr. Fletcher se remexeu, desconfortável sob meu olhar, e a confiança que demonstrara momentos antes vacilou visivelmente.
— Peço desculpas, Alfa Stone. Falei fora de hora.
Mas eu não respondi. O Dr. Fletcher saiu logo em seguida, e o som apressado dos passos dele denunciava o alívio de estar longe dali.
Sozinho em meu escritório particular, percorri o comprimento da sala enquanto as palavras do curandeiro ecoavam na minha mente. "'É normal que alguns sentimentos mudem'?" Aquela sugestão era absurda.
Meu relacionamento com Olivia era complicado, sim, mas se baseava em posse, não em afeto. Ela era minha: minha companheira, a mãe da minha filha... Nada mais.
Porém, a visão dela com Lucas Blackwood tinha despertado algo primitivo em mim, algo além do mero instinto territorial.
"Será que meus sentimentos haviam realmente mudado? Isso seria possível?
Não!" Rejeitei o pensamento imediatamente.
Como o Rei Alfa Ethan Stone, eu não conhecia a indecisão: minhas convicções eram firmes, e meus desejos, inabaláveis.
E a verdade era simples: "Laranjinha" Victoria sempre fora a mulher que eu quis.
-
(Ponto de Vista de Olivia)
O som suave do motor do SUV de luxo de Lucas Blackwood preenchia o silêncio entre nós enquanto dirigíamos pelas ruas escuras de Riacho das Sombras, e, de vez em quando, seus olhos cinzentos se voltavam para mim, deixando clara a preocupação que carregavam.
— Você deveria tentar descansar. — Disse ele em tom suave. — Está exausta.
No entanto, esbocei um sorriso fraco.
— Vou descansar quando souber que minha mãe está segura.
Lucas assentiu, entendendo sem precisar de mais explicações.
E aquilo era algo que eu apreciava nele: ele nunca insistia quando eu precisava de espaço.
Assim que chegamos ao Bosque de Ipês, Lucas insistiu em me acompanhar até a porta, enquanto o ar da noite, fresco e limpo, roçava minha pele com o perfume de pinho e terra úmida.
— Há algo que preciso lhe mostrar. — Comentou ele enquanto eu destrancava a porta. — É sobre Connor Blackthorn.
Minha mão parou na maçaneta.
— O que tem ele?
— É melhor que veja por si mesma.
Dentro, Lucas pegou o celular e me apresentou as imagens das câmeras de segurança de seu Domínio Privado. O vídeo mostrava Connor Blackthorn digitando uma mensagem para Victoria Frost.
"Tenho provas do seu envolvimento na aquisição ilegal de rins e no assassinato de Roland Warner", Os dedos de Connor se moviam freneticamente sobre a tela enquanto ele digitava sem parar.
E, no mesmo instante, minha respiração travou na garganta.
— Assassinato?
Lucas assentiu com expressão sombria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada