(Ponto de vista de Emma)
Corri pela praia com o coração batendo forte no peito e a areia grudada nos meus pés molhados enquanto eu procurava desesperadamente pela mamãe, até que finalmente a vi sentada sob um grande guarda-sol, fingindo ler uma revista.
— Mamãe, ele afundou… — Anunciei ofegante, com a voz tremendo de excitação e medo.
Fiquei parada, esperando pela reação dela, com as mãos ainda tremendo pelo que eu tinha feito, mas certa de que havia seguido suas instruções à risca, exatamente como ela me ensinara.
Mamãe ergueu o olhar devagar, e seu rosto bonito se transformou num sorriso que me trouxe um calor bom por dentro. Em seguida, deixou a revista de lado e abriu os braços para mim.
— Venha cá, minha menina esperta. — Disse baixinho.
Lancei-me em seus braços, ansiosa por sentir sua aprovação, e o aroma de perfume caro trouxe junto uma estranha sensação de conforto enquanto ela me envolvia com força e beijava minha bochecha com delicadeza.
— Você fez muito bem! — Sussurrou no meu ouvido. — Estou tão orgulhosa de você.
Senti o peito se encher de orgulho por ter deixado mamãe feliz, porque nada era mais importante do que isso, e ela sempre me lembrava de que devíamos cuidar uma da outra, já que ninguém mais o faria.
Mamãe então se afastou um pouco, e seu rosto assumiu uma expressão séria enquanto afastava uma mecha do meu cabelo molhado com um gesto suave, porém firme.
— Lembre-se, Emma. — Disse, com a voz baixando para um sussurro. — Ninguém pode saber sobre isso. Se alguém perguntar, diga apenas que não sabe.
Assenti com entusiasmo, querendo mostrar que tinha entendido.
— Se continuarem perguntando, chore de medo. — Continuou, com os olhos fixos nos meus. — Consegue fazer isso por mim?
Assenti novamente, praticando na cabeça a expressão assustada, já que mamãe me ensinara no ano passado como chorar sob comando, e aquilo se tornava fácil depois que se pegava o jeito.
— Se você não conseguir fazer isso. — A voz de mamãe endureceu um pouco. — Vai perder não só o seu papai, mas a mim também.
O medo apertou meu coração com aquelas palavras, porque perder mamãe era a pior coisa que eu poderia imaginar. Assim, tremi e a abracei com força, enterrando o rosto em seu colo.
— Mamãe, eu não sei de nada… — Sussurrei, praticando minha fala.

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