(Ponto de vista em Terceira Pessoa)
— Você precisa acreditar em mim... Eu realmente não... Você me conhece, como eu poderia ser uma pessoa tão cruel? — Victoria Frost chorava, e cada palavra que dizia vinha carregada de uma vulnerabilidade ferida.
O rosto pálido de Victoria estava coberto de lágrimas, e seus olhos, abertos em súplica, buscavam os de Ethan Stone, que, com o semblante inexpressivo, envolvia cuidadosamente o curativo no pulso dela, ainda queimado pela prata.
O ferimento causado pela prata soltava uma leve fumaça, resistindo à cura natural de lobisomem, e a lesão era séria, potencialmente fatal se não fosse tratada adequadamente.
— Ethan, por favor... — Victoria sussurrou, com a voz se quebrando. — Você me conhece há tanto tempo… Acha mesmo que eu machucaria uma criança?
Ela estava jogando sua última carta, a história compartilhada entre eles, o vínculo especial que acreditava existir, porque enquanto ele acreditasse nela, não examinaria as provas de Connor Blackthorn, mesmo que o renegado as apresentasse.
Mas Ethan permaneceu em silêncio, com os olhos âmbar frios como gelo, e suas mãos se moviam de forma metódica ao prender o curativo, sem oferecer nenhuma garantia ou voto imediato de confiança como sempre fizera antes.
E, no mesmo instante, o coração da Victoria afundou, porque aquela não era a reação à qual ela estava acostumada.
— Diga alguma coisa… — Implorou, os dedos fracos agarrando a manga dele. — Qualquer coisa.
Ainda assim, Ethan não disse nada, e o silêncio se estendeu entre eles, pesado de acusações não ditas.
Logo, Victoria foi tomada pelo pânico, consciente de que, sem a proteção de Ethan e sem a fé absoluta que ele depositava nela, todo o império que havia erguido começaria a desmoronar.
"Ela não podia deixar isso acontecer, não deixaria!"
E com uma energia súbita e frenética, Victoria arrancou os curativos com as mãos desesperadas.
— Ethan, você... Você não acredita em mim, não é? — Chorando, ela rasgou a gaze branca e expôs o ferimento irritado, e logo o sangue fresco passou a escorrer, preenchendo o cômodo com o odor metálico e intenso.
— Se você não acredita em mim, qual é o sentido de viver? Prefiro mil vezes a morte! — Soluçou, cravando as unhas no ferimento para fazê-lo sangrar mais intensamente.
A contaminação da prata tornava o ferimento resistente ao tratamento e, à medida que Victoria sentia o corpo enfraquecer pela perda de sangue, um pânico genuíno a dominou.
O desespero dela não era inteiramente uma encenação, porque a ideia de perder Ethan, de perder sua posição como mulher favorecida da Matilha Crista de Prata, era realmente aterrorizante.

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