Seus olhos âmbar prenderam os meus, vasculhando a verdade em suas profundezas, e senti-me exposta, vulnerável de uma maneira que não tinha nada a ver com o avental do hospital ou com o pulso ferido.
E, por um instante, fiquei sem palavras porque não podia revelar meu verdadeiro desamor por Emma, já que isso destruiria tudo o que eu havia conquistado.
— Pagamos um preço alto há dois anos. — Falei por fim, escolhendo as palavras com cuidado. — Mas isso é diferente, Ethan, trata-se do estado mental de Olivia agora.
Em seguida, alcancei sua mão com a que não estava ferida, e suavizei a voz enquanto prosseguia com minha manipulação.
— Ethan, não peço que a perdoe de imediato, porque a lição que proponho não nasce do desejo de machucá-la, mas da crença de que isso a fará enxergar o que precisa...
Pintei um quadro da crescente desesperança de Olivia, sugerindo que suas ações a levariam, enfim, à autodestruição.
— Ela já está tomando medidas extremas e não vai parar até que um de nós esteja morto. — Insisti, e minha loba projetou feromônios de preocupação. — Ela se tornou inescrupulosa, e só não aconteceu uma tragédia porque Connor recuperou o controle a tempo.
Porém, Ethan permaneceu inabalável, com a expressão endurecida enquanto afirmou simplesmente:
— Não vai acontecer.
A maneira como ele se mantinha firme em proteger Olivia me tirou do controle, e o ciúme da minha loba surgiu ardente, queimando sob minha pele.
— Ethan, você está protegendo a Olivia assim por culpa pela morte da Lily, ou é porque você se apaixonou por ela? — Soltei, e em seguida me arrependi por perder o controle.
O silêncio de Ethan respondeu como um estrondo, confirmando meus piores temores… "Ele não negou… Não fez esforço algum para negar…!"
A dor daquele silêncio me levou às lágrimas, desta vez lágrimas de um sofrimento genuíno, e minha loba uivou de maneira lastimosa à medida que a realidade desabava ao meu redor.
Sempre estive convencida de que Ethan ainda me amava, acreditando que eu era a mulher que ele associava à infância, e a simples ideia de perdê-lo para Olivia, alguém que eu sempre desprezei, era algo que eu não podia aceitar.
— É ela, não é? — Sussurrei, com a voz se quebrando. — Depois de tudo que fiz por você, depois de tudo que vivemos juntos, você está escolhendo ela?

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