(Ponto de Vista de Olivia)
Eu não conseguia parar de tremer, e mesmo com Ethan já longe, minha loba permanecia agitada sob minha pele, andando de um lado para o outro e choramingando de angústia, porque o confronto me deixara em carne viva, exposta de uma forma que eu não sentia desde o funeral de Lily.
James cobriu minha mão com delicadeza, e o calor do toque dele me trouxe estabilidade, enquanto o cheiro familiar: terroso, com notas de pinho e couro… Ajudava a acalmar meus nervos em frangalhos e me fazia lembrar da nossa infância, quando nos escondíamos juntos no galpão abandonado atrás do orfanato sempre que os cuidadores estavam de mau humor.
— Beba. — Pediu ele, colocando o copo de água em minhas mãos.
Dei um pequeno gole, depois outro, e senti minha compostura voltar aos poucos, com meus olhos cor de esmeralda clareando à medida que minha loba se acalmava e deixava de se debater dentro de mim.
— James… — Chamei em voz baixa, permitindo que a vulnerabilidade que eu raramente deixava transparecer surgisse. — Você assistiria aos vídeos da Lily comigo?
Sem hesitar, James concordou, e seus olhos cor de avelã refletiram compreensão quando ele se ergueu para ajustar o Projetor de Memórias na sala, repetindo um gesto que já conhecia bem, pois muitas vezes fora ele quem me sustentara quando o peso do luto parecia prestes a me destruir.
— Qual deles? — Perguntou, embora soubesse perfeitamente a resposta.
— Todos. — Sussurrei, encolhendo-me no canto do sofá.
Na sequência, a tela se encheu com as imagens de Lily, mostrando-a desde o nascimento até a infância, e aqueles olhos cor de esmeralda, tão parecidos com os meus, cintilavam com pureza e alegria. Cada vídeo trazia lembranças únicas: seus primeiros passos, a primeira vez que assumiu a forma de uma loba prateada e o som doce de suas risadinhas brincando sob o luar.
— Olhe para ela. — Murmurei, com um sorriso agridoce tocando meus lábios quando o vídeo do quarto aniversário de Lily apareceu. — Lembra de como ela insistiu em ter um bolo em formato de lobo?
James riu baixo.
— E depois chorou porque não queria cortá-lo…
— Então você comeu o rabo inteiro do bolo para fazê-la se sentir melhor. — Recordei, e a lembrança aqueceu algo dentro de mim.
Logo depois da morte de Lily, eu não suportei assistir a esses vídeos, porque a dor era intensa demais e me sufocava por completo, mas agora eles me traziam um consolo diferente, uma lembrança viva de que Lily existira, fora amada e vivera.

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