O lobo dele despertou debaixo da pele, agindo de forma protetora, como se cuidasse de uma irmã de alcateia. E, relutante, concordei, já que meu corpo finalmente reconhecia o cansaço que vinha ignorando.
No entanto, não consegui dormir profundamente no quarto de recuperação ao lado, pois minha loba permanecia alerta demais para permitir um verdadeiro descanso, e cada som vindo do corredor me fazia enrijecer, pronta para correr de volta ao lado da minha mãe.
Por volta do meio-dia, o som repentino de vozes no quarto dela me fez acordar de vez, e reconheci a voz de James chamando o médico, com seus reflexos rápidos demonstrando o treinamento de um lobo renegado.
Assim, com o coração acelerado, deixei o quarto de repouso e corri até ela, vendo seus olhos abertos e o olhar confuso, mas desperto.
— Mãe! — Gritei, correndo até ela e segurando sua mão.
Instantes depois, o Dr. Fletcher entrou no quarto com a tranquilidade típica de um curador experiente e começou a examiná-la cuidadosamente, enquanto eu, tomada pela ansiedade, não conseguia tirar os olhos de seu rosto nem por um momento.
— Ela está estável e fora de perigo. — Anunciou por fim, sem conseguir esconder por completo a satisfação diante do resultado. — A cirurgia correu melhor do que o esperado.
O alívio me inundou novamente, fazendo as lágrimas brotarem, enquanto minha loba uivava de alegria dentro de mim, celebrando a sobrevivência da nossa mãe.
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(Ponto de vista de Victoria)
— Como assim a cirurgia foi bem-sucedida? — Sibilei ao telefone, apertando-o com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos.
A voz de Sarah soou baixa do outro lado da linha, cautelosa para não ser ouvida pelos lobos presentes na sala.
— A Sra. Winters está acordada e estável. O Dr. Fletcher disse que ela está fora de perigo.
Senti minha loba rosnar de raiva sob a pele ao constatar que aquela não era a notícia esperada, então terminei a ligação e atirei o telefone sobre a cama, com o pânico comprimindo o peito porque Evelyn Winters deveria ter morrido naquela mesa de cirurgia… "Esse era o plano!"
Meu amuleto estava desaparecido, perdido durante nossa briga na escadaria do hospital, e, pior ainda, Evelyn o havia reconhecido, pois sabia exatamente quem eu era.
Logo, manejei a cadeira de rodas em círculos pelo quarto no Recanto Matarrosa, ao mesmo tempo que minhas pernas paralisadas se mantinham inúteis e minha mente fervilhava de possibilidades perigosas, já que, se Evelyn contasse a Olivia ou a Ethan o que sabia sobre mim, tudo estaria perdido.
Assim, voltei a tentar contato com Ethan, porém o telefone seguia fora de área, e eu já contava dez tentativas frustradas desde a noite passada.
"Onde ele estava? Por que não atendia? Ele nunca ignorava minhas ligações, nem mesmo quando estava com Olivia!"
O medo subiu pela minha garganta, pois tudo o que eu havia construído ao longo dos anos: minha posição ao lado de Ethan, o futuro da minha filha e minha vingança contra Olivia… Estava ameaçado por causa de uma velha teimosa que se recusava a morrer.
Irritada com o perigo que Evelyn representava, minha loba andava inquieta sob a pele, e eu sabia que precisava agir rápido antes que ela me denunciasse.
"Mas como? O Abrigo Médico a vigiaria de perto depois de uma cirurgia tão delicada, e Olivia certamente não sairia de perto dela!
Com isso, eu teria de encontrar outro modo de silenciar Evelyn Winters antes que ela destruísse tudo…"

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