A semana passou num piscar de olhos, e, quando me dei conta, Susan e eu já estávamos entrando no salão de dança do Baile da Lua Cheia.
No palco, havia um grande tapete vermelho que descia os degraus da escada até o centro da pista de dança, cujo piso estava muito bem polido. Havia diversos lustres dourados com velas, que iluminavam o salão com um brilho branco e incandescente. Enormes buquês de rosas vermelhas enfeitavam todo o ambiente.
Uma banda tocava baixinho em um dos cantos do palco. O maestro os conduzia para tocarem em um ritmo lento, mexendo os braços com movimentos ágeis e precisos, quase como se não tivesssem ossos.
“Obrigada”, agradeceu-me Susan, “Obrigada pelo vestido incrível. Eu sabia que você era boa, mas você atingiu outro patamar."
Era verdade, ela estava linda. O vestido tinha um corpete justo no qual costurei à mão o me que pareceu ser um milhão de contas de granada, um tipo de cristal alaranjado, que brilhavam à luz das velas e quase pareciam estar em chamas. A saia era carmesim e descia até o chão, além de ter uma fenda em uma das pernas, aberta até o joelho.
“Não foi nada”, respondi. Mas os círculos roxos sob meus olhos denunciavam que eu tinha passado várias noites em claro essa semana, e meus dedos estavam cheios de buracos de agulha.
As outras garotas presentes no baile estavam lindas. Os vestidos delas eram de grife, visivelmente caros e cheios de enfeites. Avistei Caryn, que usava um longo vestido de renda tão branco quanto os dentões dela.
Inquieta, mexi um pouco no meu próprio vestido, que fiz com sobras de um trabalho da faculdade. Ele era preto, cortado em camadas e drapeado de uma forma que realçava minhas curvas de violão. Ele tinha mangas compridas e uma sobressaia de renda dourada.
O salão estava lotado. As pessoas estavam todas agrupadas, conversando com animação.
Segui Susan até o lugar onde as garotas que participariam da seleção estavam agrupadas, esperando a chegada do príncipe. Para minha surpresa, havia algumas garotas humanas entre as lobisomens da nobreza. Ao contrário de mim, porém, elas eram pelo menos de famílias nobres.
“Elas não têm muita chance de serem escolhidas de verdade”, sussurrou Susan para mim, olhando para as garotas humanas. “Mas acho que quiseram tentar a sorte mesmo assim. Que bom pra elas."
Até onde eu sabia, apenas Lycans e lobisomens haviam morado no palácio real. Era difícil imaginar um príncipe ou rei escolhendo uma companheira humana. Eles sempre se casavam com lobisomens de linhagens nobres; era assim que as coisas funcionavam.
Pela primeira vez na vida, Susan estava usando batom vermelho, mas o problema era que agora ficava me pedindo para verificar se tinha manchado os dentes.
“Você tá perfeita”, disse eu, segurando o ombro dela com firmeza para dar-lhe coragem.
Percebi que Caryn olhou em nossa direção, sussurrou para as amigas e riu. Ela sempre tirava sarro da minha amizade com Susan, dizendo que eu era a assistente dela. Eu não ligava nem um pouco, especialmente hoje à noite; eu estava lá apenas para apoiar minha melhor amiga.
De repente, alguém tocou o trompete, anunciando o início da cerimônia.
O maestro virou-se para a multidão e disse em voz alta: “Apresento a vocês o herdeiro do trono Lycan: príncipe Nolan!”
A multidão foi à loucura quando o príncipe apareceu no palco. Ele estava acompanhado por três outros homens altos e bonitos, que o seguiam andando em perfeita sincronia. Todos eles estavam vestidos com ternos pretos, mas o príncipe se destacava facilmente na frente deles.
Nolan era mesmo incrivelmente bonito. Ele era moreno e tinha uma postura perfeita que impunha autoridade. Ao descer as escadas, ele se virou e olhou em nossa direção. Por um breve momento, nossos olhares se encontraram.
Meu corpo reagiu antes que a ficha caísse para mim.
Senti-me enjoada, fraca, emocionada e apavorada, tudo ao mesmo tempo.
Os olhos fundos de Nolan eram verde-escuros e intensos. Era como se ele estivesse olhando direto para minha alma.
Naquele instante, eu soube com certeza.
Ele era o estranho.
Todavia, o príncipe desviou o olhar, e eu respirei fundo, dizendo a mim mesma que só podia ter me enganado.
Não era possível que o lobisomem ensanguentado que me f*deu em uma caverna na semana passada fosse o mesmo homem que eu estava vendo diante de mim agora: um nobre imponente com uma postura de dar inveja, cabelo penteado e maçãs do rosto proeminentes.
Porém, aí, lembrei-me que o rosto do estranho estava inchado devido aos hematomas, que poderiam facilmente ter camuflado as maçãs do rosto dele.
Eu não tinha mais certeza.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?