Tilda simplesmente não conseguia encontrar palavras para descrever Jude.
Ele parecia quase irreal — majestoso, como um deus caído caminhando entre os mortais, condenado a enfrentar alguma provação.
Talvez Jude tenha notado o olhar dela, porque de repente voltou seus olhos na direção dela.
No instante em que seus olhares se cruzaram, o coração de Tilda vacilou.
Era como ser pega espionando alguém — uma onda de culpa e constrangimento a atingiu de uma vez.
“Não sabe como comer isso?”
“Ah… eu só estava pensando… devo comer direto, ou corto antes?”
“Você escolhe. Não se deixe enganar pela aparência, é bem macio. Como um bolo.”
“Sério? Obrigada…”
Tilda voltou apressada para a cozinha.
Meu Deus… por que parece que acabei de ser pega no flagra?
Na minha própria casa, ainda por cima!
Ela sacudiu a cabeça com força.
Deve ser a fome me deixando meio tonta.
Pegou uma faca e um garfo, cortou o estranho pedaço escuro e levou um pedaço aos lábios. Engoliu em seco, fechou os olhos e foi em frente.
Assim que o sabor tocou sua língua, seus olhos se arregalaram.
É… delicioso.
Nunca havia provado nada parecido.
Sem perceber, minutos depois, o prato estava vazio. Cada pedacinho do que Jude havia trazido tinha desaparecido.
Só então ela percebeu.
Espere… já acabou?
Seu estômago estava satisfeito, mas o desejo de comer mais persistia.
Como algo podia ter um gosto tão bom?
O impulso a fez voltar para a sala.
“Sr. Bell, pode me dizer exatamente como isso foi feito?”
“Quer mesmo saber?”
Um leve sorriso curvou os lábios de Jude, como se ele estivesse esperando aquela pergunta. Ele se levantou, e sua silhueta alta lançou uma sombra que a envolveu por completo.
“Ah… podia ter dito isso sentado, sabia?”
Quanto mais ele se aproximava, mais difícil ficava respirar.
Não que estivesse sendo ameaçador, mas sua simples aproximação já era perigosa.
Perigosa o bastante para fazer seu sangue se agitar.
Seria isso algum tipo de reação de Ômega? Algo que acontece só por estar perto dele?
Antes que pudesse organizar seus pensamentos, o cheiro dele a alcançou.
Droga… perdi o controle por um instante, só por causa do cheiro dele.
Isso nunca aconteceu antes.
A única explicação é que Jude tem algum tipo especial de aroma marcante de Ômega, algo que desperta meus instintos e embaralha meus pensamentos.
Outro efeito colateral, talvez.
Jude já nem tentava disfarçar.
Ele ainda não havia firmado um contrato com ela, nem tinham dormido juntos. Apenas isso poderia eliminar totalmente os efeitos colaterais do tipo Ômega.
Mas, nas duas vezes em que tocou nela antes, isso bastou para fazê-lo descansar… mesmo que apenas superficialmente.
O que ele realmente queria era segurá-la nos braços e adormecer junto dela.
Era atraído pelo perfume de Tilda, incapaz de resistir.
Aquele vínculo era o chamado do sangue, uma ligação entre iguais — impossível de negar ou quebrar.
Ele não podia conter a obsessão. Nem ela.
E Jude sabia que Tilda também sentia o mesmo.
Uma vez marcada, a presa jamais escapa.
Tilda… você já é minha.
Ela abriu a boca para responder, mas Jude ergueu a mão e encostou levemente um dedo em seus lábios.
“Se quiser mais, tenho de sobra. Contanto que esteja disposta a assinar o contrato, tudo o que tenho será seu.”
Tilda o encarou, atônita.
Seus lábios, sob o toque dele, ficaram rosados e quentes.
Eram suaves, frágeis — o tipo de boca que Jude queria provar, só para sentir o gosto.
“Sr. Bell, você prometeu… disse que eu podia pensar. Disse que não me pressionaria.”

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