No ano em que Milena e Giovani se casaram, Helena e Alberto se divorciaram.
O fracasso nos negócios de Alberto e as dívidas não derrubaram a família, mas o fato de Alberto manter uma amante lá fora veio à tona.
A família Lacerda entrou em uma briga familiar muito violenta.
Milena ainda se lembrava de que, na noite em que Alberto foi embora, Helena gritou ferozmente para o pai dela:
— Se você tem coragem, vá procurar aquela mulher e nunca mais volte!
Era para ser uma frase para mantê-lo, mas se tornou a oportunidade de Alberto sair ileso.
Naquele dia, Milena estava tão calma quanto Helena hoje, ouvindo calmamente Helena dizer: — Isso é o casamento, pense bem se quer se casar com o Giovani.
Milena também não conseguiu ouvir.
Ela, como todas as mulheres apaixonadas, acreditava confiantemente que era a mais especial, e até disse cruelmente para Helena:
— Eu não sou você, e o Giovani não é o meu pai.
E depois?
Ela seguiu o mesmo caminho que a mãe.
A ligação terminou de forma desagradável, e Milena encostou-se na parede, sem forças.
Ela cobriu o rosto, e uma profunda sensação de aversão se espalhou do fundo do seu coração.
Não por Giovani.
E não por Helena.
Mas por si mesma.
As brigas e a guerra fria que explodiram no casamento eram uma aparência terrível, mas a essência mais cruel era que isso corroía o seu interior, fazendo com que ela duvidasse constantemente de si mesma, se menosprezasse e se odiasse.
Foi enquanto enxugava as lágrimas que Milena viu Noriel saindo pela porta dos fundos ao lado.
O homem vestia um terno impecável, frio e educado, com os dedos longos e brancos segurando um cigarro apagado, e seus olhos escuros não mostravam emoção ao olhar para ela.
— Veio pegar o carro? — ele perguntou com indiferença.
— Sim.
As lágrimas que chegaram à beira dos olhos foram contidas à força por Milena.


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