Ponto de Vista da Aubrey
Fiquei completamente imóvel, fingindo dormir enquanto as duas empregadas Ômega conversavam do lado de fora. Esperei até que seus passos se afastassem pelo corredor, desaparecendo no silêncio.
Assim que o som se dissipou, levantei rapidamente e deixei o quarto sem ser vista. Saí da Ilha Seaheart o mais depressa que pude.
De volta ao meu apartamento, encarei o anel de presa de lobo que brilhava no meu dedo. O latejar na cabeça se intensificou.
“Ella, ele enlouqueceu?” murmurei, girando o anel irritada. “Quando eu o seguia, ele me tratava como se eu fosse invisível. Agora que quero distância, ele resolve se aproximar?”
Lá no fundo da minha mente, Ella soltou um bocejo preguiçoso. “Ele é nosso parceiro destinado. É instinto.”
Instinto? Só isso?
Uma pontada aguda atravessou meu peito. Então tudo — o calor, o carinho repentino, os beijos — não passava de impulso animal? Nada tinha a ver comigo de verdade?
Não sabia por que essa ideia me incomodava tanto.
Meu celular vibrou de novo. O nome do meu pai piscava na tela insistentemente. Suspirei e atendi, sem vontade.
“Aubrey!” Sua voz explodiu no alto-falante, furiosa. “Venha para a delegacia agora! Jimmy foi capturado!”
Foi rápido. Arqueei uma sobrancelha, surpresa, mas respondi sem emoção: “Estou a caminho.”
Desliguei e fui.
Quando cheguei à sede da segurança dos lobisomens, meia hora depois, a cena já estava montada.
Bailey estava ali — vestida de branco, pálida e angelical — a imagem perfeita da vítima frágil. Difícil acreditar que fosse a mesma garota sem vergonha e ofegante do vídeo.
“Aubrey, estou profundamente decepcionado com você,” meu pai rosnou, me olhando como se eu fosse uma mancha na parede.
Soltei uma risada curta. Nem precisei ouvir para entender o enredo. Bailey devia ter chorado algumas lágrimas bem ensaiadas, e pronto. Bastava isso. Sempre bastava.
Não importava o que acontecesse — para ele, eu sempre seria a culpada. Se ele tivesse meio segundo de raciocínio, veria as contradições gritantes. Mas nunca me deu esse benefício.
Ainda assim…



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