Ponto de Vista de Aubrey
— Então, querida madrasta, estava se divertindo espalhando suas mentiras?
Girei o pulso devagar, mantendo o sorriso doce nos lábios. — Foi divertido assistir enquanto todos me humilhavam na sala de estar?
— Basta, Aubrey! — meu pai disparou, o rosto queimando de vergonha. Sempre obcecado com aparência e decoro, ele odiava escândalos públicos. Para ele, conflitos deviam ser resolvidos longe dos olhos alheios.
Mas Aurelia nunca seguiu esse princípio — e eu também não seguiria mais.
O ódio cintilava nos olhos dela, mas num piscar de olhos se dissolveu. Ela se deixou cair no chão, os olhos marejando, encenando um lamento com perfeição.
— Por que me trata assim? — ela soluçou. — Eu sou sua mãe! Me preocupo com você! Só queria que encontrasse o caminho certo. Você faz escândalo em casa, e agora me expõe publicamente... não pensa na dignidade do seu pai?
A voz frágil e melodramática era o suficiente para conquistar a compaixão de qualquer plateia.
— Então essa é a enteada da Aurelia? Aquela ômega esquisita? Bonita, mas completamente sem educação! — alguém cochichou.
— Até um animal demonstra gratidão. Essa garota é pior que um bicho! Se fosse minha filha, já estaria presa!
Uma mulher se adiantou, oferecendo ajuda para Aurelia se levantar.
— Não a defenda dessa vez, Aurelia. Ela precisa aprender na marra.
Aurelia manteve a expressão ferida, tremendo levemente, como se eu fosse uma tirana doméstica. A performance foi suficiente para transformar a desconfiança de muitos em desprezo direcionado a mim.
Na vida passada, essas reações me despedaçavam. Eu implorava desculpas, chorava, tentando justificar. Mas hoje?
Hoje, eu não devia nada a ninguém.
Meus olhos percorreram a multidão com firmeza. Sentia nojo. Desprezo. E nada mais.
— Me chamam de ingrata, de cruel? Então vou fazer uma pergunta simples para todos aqui.
Ergui a voz, clara, cortando o burburinho como uma lâmina.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ômega renascida: Vingue-se como uma Alfa