Ariane torceu os lábios com desdém, os olhos repletos de aversão.
“Quem iria querer conhecer um cafajeste desses? Um canalha que brincou com os sentimentos da minha irmã!”
Yadson arqueou as sobrancelhas, observando a expressão indignada de Ariane naquele momento, mas um traço de resignação apareceu em seu olhar...
Enquanto os dois conversavam no escritório, Bernardo, sentado no sofá da sala, permaneceu em completo silêncio, emanando uma aura fria e austera.
Carlos ponderou longamente antes de falar, escolhendo cuidadosamente as palavras: “Sr. Salazar, Dr. Marques é a pessoa em quem o senhor mais confia, além de ser o psiquiatra mais respeitado...”
Bernardo levantou os olhos, e a intensidade em seu olhar era impossível de decifrar. Carlos imediatamente silenciou.
Sentindo-se inexplicavelmente irritado, Bernardo levou a mão ao bolso por impulso, mas logo lembrou que já havia parado de fumar há tempos.
Mais de meia hora depois, Ariane saiu do escritório sorrindo radiante.
“Amor, Dr. Marques disse que estou muito saudável agora.”
Bernardo virou-se, olhando para os dois descendo as escadas.
Yadson assentiu levemente com a cabeça, deixando claro — Ariane realmente tinha perdido a memória.
Uma fina camada de suor cobriu a palma da mão do homem. O resultado era esperado, mas, no momento em que foi confirmado, ele não soube dizer o que sentia de fato.
“Que bom.”
Aparentemente, era apenas uma resposta corriqueira, porém Yadson não pôde evitar erguer as sobrancelhas, olhando para Bernardo com um sorriso enigmático — aquele homem realmente sabia disfarçar, quando por dentro, sua mente era um turbilhão.
“Bernardo...”
“Obrigado pelo esforço. Descanse bem, marcamos outro encontro em breve.”
Bernardo interrompeu Yadson, encerrando o assunto abruptamente.
Yadson finalmente entendeu o que significava ser descartável.
No entanto, com Bernardo, não havia como se irritar de verdade. Aceitou seu papel de instrumento sem reclamar.
“Está bem.”
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“Talvez... mas não se preocupe, não é nada. Vou me deitar um pouco e logo estarei bem.”
Apesar disso, espirrou mais algumas vezes durante o trajeto.
Bernardo franziu o cenho e ordenou ao motorista que os levasse de volta à Villa Bella Vista, pedindo para Joana preparar um copo de água com alta concentração de vitamina C para Ariane.
Ariane tomou um gole — o sabor era ainda mais forte do que limonada, tão azedo que franziu o rosto inteiro.
“Que azedo, Bernardo, será que eu posso...”
Ao encontrar o olhar severo de Bernardo, Ariane não conseguiu terminar a frase “não quero tomar”.
O olhar, mais rigoroso do que o de um pai, forçou Ariane a beber toda a vitamina C restante.
Desde criança, ela nunca gostou de coisas azedas, mas não queria desapontar Bernardo.
“Pronto, bebi tudo direitinho. Não merece uma recompensa?”
Bernardo olhou para Ariane, que inclinava a cabeça com um sorriso travesso, percebendo que ela já estava planejando algo em sua mente.

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