Ariane sorriu ao ver Bernardo aparecer.
Bernardo carregava consigo uma aura fria e imponente que impedia qualquer aproximação. Seu rosto perfeitamente esculpido permanecia inexpressivo, e seu olhar, cortante como gelo, fazia com que os curiosos ao redor abrissem caminho instintivamente.
O rapaz ficou surpreso ao perceber que Bernardo e Ariane vestiam claramente... roupas de casal.
Imediatamente, uma sensação ruim tomou conta dele. Bernardo aproximou-se e parou a menos de um metro do rapaz.
A presença de Bernardo era tão dominante que o rapaz engoliu em seco sem perceber.
“Você disse que minha esposa te abordou e ficou te importunando, não foi?”
Assim que Bernardo falou, não só o rapaz ficou atônito, como também todas as pessoas ao redor.
“O quê? Esposa? Ela já é casada?”
“O que está acontecendo? Casada e ainda fica paquerando?”
“Isso... parece que a situação vai mudar, não?”
“Olha, sinceramente, se formos falar de beleza, esse marido dela é de outro nível, né? Com um marido desses, ela iria mesmo paquerar outro? Não entendo.”
Aqueles que há pouco estavam prontos para criticar Ariane agora mudaram rapidamente de opinião.
Esses comentários só fizeram Ariane sentir ainda mais ironia; ninguém entre os curiosos realmente queria saber a verdade, só estavam ali para se divertir com o escândalo.
“Amor, ele disse que vai me dar uma lição.”
Falou com indiferença e certo desprezo, o que fez o rosto do rapaz ficar imediatamente lívido.
“Você... você é casada e ainda veio me paquerar. Você é mesmo o marido dela? Ela acabou de me abordar, eu disse que tenho namorada, mas ela não parava de insistir, faça o favor de educar sua esposa.”
Bernardo semicerrrou os olhos.
“Você acha que tem esse direito?”
Assim que terminou a frase, o rapaz ficou paralisado.
“Você ainda quer chamar a polícia? Isso é um absurdo, nunca vi nada igual, o culpado querendo dar uma de vítima, você realmente é boa nisso.”
Pelo jeito de Bernardo, ele não precisava da polícia para resolver aquela situação, mas, como Ariane pediu, ele atendeu.
“Tudo bem.”
Os espectadores, entediados e curiosos, aguardavam para ver no que aquilo ia dar.
Assim que a polícia chegou, o gerente do supermercado veio rapidamente para tentar resolver a situação.
“Gente, é só um desentendimento, não precisamos criar essa confusão toda.”
O rapaz, porém, começou seu espetáculo patético para manipular o público: “Não é bem assim. Só pedi que ela se desculpasse, mas ela além de não pedir desculpas ainda tenta me incriminar. Isso eu não posso aceitar. Todos aqui são testemunhas! Eu não queria chegar a esse ponto, mas não dá pra deixar esse tipo de coisa passar, concordam?”
Bernardo apertou os lábios, encarando aquele sujeito repugnante; se olhares pudessem matar, ele já teria morrido várias vezes. O rapaz, percebendo o olhar de Bernardo, instintivamente se aproximou dos policiais.

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