Bernardo observou o jeito dela de admitir o erro imediatamente, e todas as palavras que pretendia dizer ficaram presas na garganta, sendo engolidas de volta.
Levantou-se para pegar a caixa de primeiros socorros e, com movimentos hábeis, desinfetou o pequeno ferimento de Ariane. Assim que despejou água oxigenada, ela recuou o pé de dor, mas Bernardo, com reflexos rápidos, segurou o tornozelo dela na palma da mão, impedindo qualquer fuga.
“Tenha um pouco de paciência.”
Ariane, prestes a chorar, olhou para o próprio pé machucado, obediente, sem ousar se mexer novamente.
“Tá bom.”
Bernardo, de olhos baixos, segurava o pé delicado dela com uma mão, enquanto com a outra manipulava o cotonete, limpando suavemente o ferimento. Ao terminar, assoprava de leve sobre a pele, e o fluxo morno de ar acariciava a ferida, trazendo uma sensação de calor misturada com um leve incômodo.
Ariane mordeu o lábio inferior e sentiu as costas ficarem tensas; instintivamente, suas pequenas mãos brancas apertaram a barra do vestido de festa.
Daquele ângulo, ela podia admirar o perfil perfeito e elegante de Bernardo, concentrado no cuidado do ferimento dela. Que mulher não ficaria completamente apaixonada com aquela cena?!
Além disso, aquele sopro delicado de Bernardo quase a fez perder o controle. Será que ele percebia o quanto aquele gesto era sedutor?
Se continuasse daquele jeito, Ariane temia não resistir e simplesmente pular em cima de Bernardo!
Porém, o que Ariane jamais poderia esperar era que o melhor ainda estava por vir.
Depois de terminar o curativo e colocar um band-aid, Bernardo começou a massagear a panturrilha dela. Suas mãos quentes apertavam e aliviavam os músculos doloridos, provocando sensações que estavam longe de ser apenas relaxantes.
Especialmente com a palma da mão deslizando de um lado para o outro, parecia que ele estava literalmente incendiando seu corpo.
Na cabeça de Ariane, uma voz gritava enlouquecida:
Homem, você tem ideia do que está fazendo?!!!
Bernardo sentiu sua razão ser consumida por completo. Ariane era como uma flor de papoula: à primeira vista, parecia inofensiva, mas, aos poucos, tornava-se viciante. Ele achava que conseguiria se controlar, mas, na verdade, cada tentativa era um tormento, um verdadeiro veneno.
Ariane não sabia nada sobre os conflitos internos de Bernardo; apenas aproveitava o frenesi provocado pela intimidade entre eles.
No entanto...
Joana, que acabara de preparar o macarrão, bateu levemente na porta da suíte principal.
“Senhora, o macarrão já está pronto.”
Naquele momento, quando tudo parecia prestes a acontecer, Ariane percebeu a hesitação de Bernardo e rapidamente voltou a beijá-lo, tentando distraí-lo ainda mais.
Pelo amor de Deus, comer macarrão pra quê? Será que o marido dela não era mais apetitoso?

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