O policial mal ia falar quando uma voz feminina estridente ecoou de repente na porta, acompanhada pelo som de saltos altos.
Todos ergueram os olhos, olhando na direção da entrada.
Sabrina, em especial, ao ouvir aquelas palavras, cerrou os dedos abruptamente.
Percebendo a tensão dela, Rafaela Ribas apertou os lábios e olhou para Sabrina.
— Do que tem medo? Quem deveria ter medo são elas!
Exatamente.
Ela não havia feito nada de errado, não tinha o que temer.
— Jamile, como você se machucou tanto?
A pessoa que acabara de chegar era a tia de Jamile e madrasta de Sabrina. Tinha por volta de quarenta anos, se vestia com elegância e transmitia uma imagem sofisticada.
Atrás dela, seguia um homem de meia-idade com uma expressão severa no rosto.
O pai de Sabrina.
Assim que os dois entraram na enfermaria, correram diretamente para o lado de Jamile, ignorando completamente a presença da filha ali perto.
Foi só quando Jamile, em meio a soluços, apontou para Sabrina, que os dois levantaram o olhar.
No instante em que viram Sabrina, ambos paralisaram.
Em seus olhos havia apenas surpresa e outras emoções indecifráveis, mas definitivamente nenhuma alegria.
Era como se não estivessem olhando para a própria filha, mas para uma estranha.
— Foi você quem empurrou a Jamile? — o pai de Sabrina ficou atônito por dois segundos, caminhou diretamente até ela e perguntou com a voz grave. — Depois de tantos anos, como o seu temperamento continua o mesmo?
Anos atrás, ela havia empurrado a madrasta, causando-lhe um aborto espontâneo.
E agora repetia o mesmo truque...
— Olhe o estado em que deixou a sua prima. Ela estuda medicina, se perder o movimento das mãos, a vida dela estará arruinada.
— Você volta e nem avisa a família. Nos vê e nem ao menos nos cumprimenta... — Quanto mais o pai de Sabrina falava, mais irritado ficava. — Sabrina, você ainda tem algum respeito por esta família e por mim, como seu pai?
Rafaela Ribas permanecia sentada ao lado, em silêncio, mas seus olhos transbordavam um frio intenso.
— De fato.
No instante em que a voz do pai de Sabrina cessou, a resposta gélida de Sabrina ecoou.
— No meu coração, a Família Ribeira deixou de ser a minha casa há muito tempo. E você também não é o meu pai.
— Sabrina, que jeito é esse de falar com o seu pai? — Senhora Ribeira interveio no momento exato. — Seu pai só está preocupado com você. Além disso, você realmente errou nesta situação.
— Eu já disse que ele não é o meu pai e não tem o direito de me dar lições. — Sabrina retrucou, inexpressiva. O olhar que lançou à Senhora Ribeira tornou-se ainda mais gélido. — E você também não!

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