Base de Treinamento do Esquadrão da Baleia Branca.
Após uma inspeção rápida, o jipe Hummer preto obteve livre acesso ao centro de comando da base, estacionando vagarosamente diante da porta do edifício principal.
As portas se abriram, e três pessoas desembarcaram sucessivamente do veículo.
Dois homens e uma mulher.
A garota, que liderava o grupo, usava um sobretudo preto e uma calça da mesma cor, que destacava suas pernas longas e ágeis.
Sua presença emanava uma aura intimidantemente formidável.
Dentre aqueles três, afinal, quem seria o "Deus dos Soldados"?!
— Por favor, entrem!
O subordinado abriu a porta com movimentos um tanto robóticos e, após acompanhar os três até a sala de reuniões com o olhar, ligou imediatamente para notificar Murilo Carneiro.
— Murilo, o Deus dos Soldados chegou.
Cinco minutos depois.
Murilo Carneiro correu da área de treinamento e aproximou-se da sala. Justo quando estava prestes a entrar, a voz do subordinado interveio de repente: — Murilo, há uma mulher lá dentro.
Uma mulher?
Murilo Carneiro franziu a testa, perplexo. Seria possível que o Deus dos Soldados tivesse trazido uma mulher para as dependências da base militar?
— Entendido.
Murilo Carneiro assentiu sem dar muita importância e adentrou o recinto.
Três pessoas ocupavam o escritório. Os dois homens estavam sentados no sofá, examinando a decoração do lugar com grande interesse.
A garota mencionada pelo subordinado encontrava-se de costas para ele, comodamente sentada sobre a sua mesa de trabalho. Balançava as longas pernas cruzadas enquanto girava nas mãos uma réplica detalhada de uma pistola.
Ao ouvirem os passos, Hugo e Adler ergueram o olhar em uníssono.
O homem que acabara de entrar vestia um uniforme camuflado. Tinha uma postura ereta e heroica, irradiando uma presença justa e imponente de dentro para fora.
Sem dúvidas, a pura personificação de um operador de forças especiais de elite!
Embora nunca tivesse visto o verdadeiro rosto do "Deus dos Soldados", Murilo Carneiro mantinha vivas na memória as proporções da silhueta dele, e, com toda a certeza, não correspondia a nenhum daqueles dois homens à sua frente, assemelhando-se mais a...
Murilo Carneiro contraiu as sobrancelhas levemente, e seu olhar deslocou-se para a garota a poucos metros dali, tornando-se insondável.
Deixar um pouco de dignidade?
Murilo Carneiro acompanhou a saída dos dois com o cenho franzido, incomodado com a sensação de não ter o controle da situação. Encarando as costas da garota à sua frente, exigiu friamente: — Onde está o verdadeiro Deus dos Soldados?
A garota permaneceu de costas para ele e declarou com firmeza: — Em um treinamento há dois anos, eu te dei um chute que te lançou no rio, e você quase se afogou.
— Quem diria que o grande e renomado operador das forças especiais teria, na verdade, fobia de água.
— ...
Ao ouvir aquela frase, Murilo Carneiro abriu a boca, atônito, e a cor fugiu de seu rosto.
O fato de ele ter medo de água era um segredo que, além de si próprio, apenas o "Deus dos Soldados" conhecia, por tê-lo descoberto acidentalmente.
Murilo Carneiro sentiu-se completamente desestruturado. Sem conseguir acreditar nos próprios olhos, murmurou: — Você se disfarçava de homem?
Aquele ilustre e lendário Deus dos Soldados era, na verdade, uma mulher!
Se tal informação vazasse, o mundo inteiro das forças especiais tremeria nas bases!
— Uhum. — Rafaela Ribas pousou o vaso de flores sobre a mesa e pegou um pacote intacto de petiscos ao lado.

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