Douglas se assustou e por pouco não deixou Natália escorregar de seus braços. Quando reagiu e a trouxe de volta para perto de si, o rosto dela estava bem próximo à sua parte inferior do abdômen. Seu corpo ficou tenso e sua voz, rouca:
- Natália, você sabe o que está dizendo?
Ele pensou que Natália estava apenas bêbada e confusa.
Desde que se casaram, sempre foi ele quem cuidava dela quando bebia demais e ele sabia muito bem como o álcool afetava ela.
Não planejava levar aquilo a sério, mas a mulher em seus braços, tão embriagada que mal conseguia se manter sentada, assentiu firmemente e disse:
- Eu sei.
Não só isso, ela ainda se mexeu desconfortavelmente e tentou tocar em algo. Douglas segurou a mão dela e mordeu os lábios, tentando se conter.
- Você não disse que queria manter distância de mim? Por que agora parece disposta a ficar comigo?
Natália, embriagada, ainda corrigiu ele:
- Não estamos juntos, é só para retribuir o favor, estou te ajudando a tratar sua doença.
Douglas riu, meio irritado.
- As pessoas costumam se casar para retribuir um favor e você só faz sexo comigo, Táli, você é muito mesquinha.
Natália franziu a testa, pensativa, e então balançou a cabeça com seriedade:
- Você não serve para ser marido.
Suas palavras eram como espinhos finos e macios, perfurando o coração dele, causando uma dor não tão aguda, mas azeda e amarga.
Douglas abaixou a cabeça, segurou a nuca dela com uma mão e encostou suas testas, olhos nos olhos.
Sua voz rouca soava especialmente profunda na sala silenciosa:
- Como você pode saber se não tentar? Táli, eu sei que não fui o melhor no passado, mas posso mudar. - Ele falava enquanto passava os dedos pelo rosto dela. - Táli...
Natália bocejou.
- Se você não quer que eu te cure, tudo bem, eu vou dormir.
Ela se soltou de Douglas, saltou da cadeira e quase caiu ao tocar o chão.
Douglas manteve a mão em sua cintura e quando ela cambaleou, ele a puxou para perto de si.
Ele a pressionou contra o balcão e a beijou intensamente.
Parecia um pouco irritado, beijando ela com urgência, sua língua explorando os lábios e a boca dela de maneira voraz.
Quando o beijo terminou, ambos estavam ofegantes.
Natália já estava bêbada e agora mal conseguia ficar de pé, se apoiando nele.
Douglas abaixou a cabeça, observando os lábios inchados e vermelhos da mulher que tinha sido beijada, e tirou o celular, tocando na tela algumas vezes.
- Táli, repete o que você acabou de dizer.
- Repetir o quê? - Natália perguntou com uma expressão impaciente.
"Como esse homem é irritante."
Douglas persuadiu:
- Diz que você quer ficar comigo.
- Não é ficar juntos, é só ajudar você a se curar, depois disso não devemos mais nada um ao outro. - Vendo que Douglas ficou sério e calado, Natália enfatizou novamente. - Tudo que fiz por você antes foi voluntário, eu nunca te pedi nada, estou retribuindo agora, isso mostra que sou uma mulher bondosa, você não pode se aproveitar disso.
Se Natália não tivesse bebido, certamente não seria tão ousada e vaidosa.
Douglas guardou o celular.
Natália, instintivamente, apertou a mão e suas unhas deixaram marcas brancas no sofá de couro, e ela só conseguia sentir o cheiro do homem.
A sala de estar estava iluminada apenas pelo armário de bebidas, com uma luz ambiente suave. A luminosidade se tornava mais fraca à medida que se estendia pelo cômodo e a figura do homem sobre ela parecia envolta em uma densa escuridão.
Não era possível ver seu rosto, apenas sentir seus beijos intensos e persistentes. Memórias há muito enterradas e esquecidas subitamente irrompiam, a levando a se encolher instintivamente, sua voz contida trazendo um leve choro:
- Dói.
Mesmo na escuridão, a palidez no rosto de Natália era inegavelmente visível, um branco de desconforto físico extremo. Douglas parou, sua urgência e paixão se esvaíram como a maré ao ouvir sua dor. Ele se virou e saiu de cima dela, franzindo a testa, aparentemente mais preocupado do que ela.
- Onde dói?
Natália, se contendo e mordendo os lábios, sentia a embriaguez subir, sua mente turva.
- Já faz três anos, como você ainda é tão ruim nisso?
Ela não estava tentando o insultar, apenas dizendo a verdade. Aos vinte e cinco anos, em uma era tão liberal e considerando esta ocasião, ela só havia passado por essa experiência duas vezes, ambas dolorosas. Não era dito que os homens tendem a se aperfeiçoar nesses assuntos?
Quanto mais pensava, mais se sentia injustiçada e mais queria chorar. Com o efeito do álcool, suas emoções estavam mais sensíveis do que o normal e, logo, seus olhos ficaram vermelhos.
Douglas ficou atônito. Natália o repreendeu:
- Anda logo.
Douglas se ajoelhou, sua testa contra a dela, a consolando com uma voz resignada, quase como se acalmasse uma criança:
- Táli, eu nem comecei.
Apesar de Natália tentar parecer natural, Douglas sabia que ela tinha uma certa aversão a isso. Então, mesmo com ela embriagada, ele não queria a forçar, preferindo guiar suas emoções passo a passo, deixando ela se acostumar com sua proximidade.
Mas antes que ele pudesse fazer algo mais, ela começou a reclamar de dor.
Natália também ficou surpresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Presidente Rocha, a Sra. Rocha saiu para mais um encontro
O livro não está finalizado... Autora largou de mão né? Sem pé nem cabeça... Enrolou tanto que no final ficou perdida. Dinheiro jogado fora...
péssimo meio de leitura. o livro é bom, mas as plataformas são complexas e ficam colocando tarefas.. vc quer relaxar e fazer uma leitura leve mas acaba demandando muito esforço e fica extressante...
muito boa...