Tadeu não viu em seu rosto a emoção que desejava, apenas indiferença e frieza enquanto se mantinha ereto.
- Na Páscoa, papai quer que a gente passe fora este ano.
Douglas assentiu.
- Você acabou de chegar, deve estar cansado. Vá descansar e, à noite, jantamos juntos.
A última frase foi apenas por cortesia, mas assim que a disse, se arrependeu. Uma pessoa normal perceberia, mas com o modo de pensar de Tadeu, não era garantido.
- Então vou tirar um cochilo na sala de descanso do seu escritório.
Douglas ficou sem palavras.
O humor sombrio de Tadeu se dissipou instantaneamente com suas palavras. Ao empurrar a porta da sala de descanso e cruzar o limiar, ele olhou para trás e perguntou:
- Mano, você me abandonaria?
Douglas pensou que tinha se entregado, que Tadeu tinha percebido algo, e se sentiu um tanto em pânico, apertando levemente o lápis que segurava.
- Por que essa pergunta de repente?
- É que vi alguém se casando recentemente e pensei que você também está na idade de casar. Então, me bateu o medo de você arrumar uma esposa e me deixar de lado.
Douglas reprimiu o impulso de irritação que começou a surgir.
- Não vou te abandonar. Pare de pensar bobagem.
- Mano, então se lembre do que disse hoje. Não importa o motivo, não me deixe para trás, senão vou ficar muito triste. - Tadeu sorriu de maneira enigmática para ele e entrou no quarto.
A sala de descanso era decorada de forma simples, com apenas uma cama, um criado-mudo e um armário.
Ele foi ao banheiro tomar um banho, usando os produtos de Douglas, e ao deitar na cama onde ele dormia, se cobrindo com seu cobertor...
Naquele momento, Tadeu se sentiu como se fosse Douglas, a pessoa que sempre invejou.
Nas noites de insônia, olhando para o céu escuro pela janela, ele se perguntava, se tivesse sido adotado pela família Rocha naquela época, será que seria como Douglas?
Tadeu acariciava o travesseiro de superfície lisa e fria com a mão.
- Irmão, já que a família Rocha não me quer, vou encontrar uma nova casa para você. Você gosta da ideia?
Ele vestia seu pijama e seus movimentos faziam com que a gola se abrisse ligeiramente, revelando as extensas marcas roxas em seu corpo, claramente resultado de agressões.
- Se você não gosta do papai, então daqui para frente será só você e eu. Nós dois juntos. Que tal?
Ao mencionar o pai, um brilho cruel passou pelos olhos de Tadeu, algo que Marta reconheceria imediatamente: era o mesmo olhar que ele tinha quando maltratava cães no orfanato.
...
Vinte e seis de novembro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Presidente Rocha, a Sra. Rocha saiu para mais um encontro
O livro não está finalizado... Autora largou de mão né? Sem pé nem cabeça... Enrolou tanto que no final ficou perdida. Dinheiro jogado fora...
péssimo meio de leitura. o livro é bom, mas as plataformas são complexas e ficam colocando tarefas.. vc quer relaxar e fazer uma leitura leve mas acaba demandando muito esforço e fica extressante...
muito boa...