Na manhã seguinte, depois de Laura ter chegado à conclusão de que não queria que a filha, Adele, passasse pelo mesmo que Paolo estava passando, ela procurou entre suas coisas um caderno. Nele ainda guardava o número de telefone que Adrien havia escrito pra ela um dia. Por que ainda o guardava? Nem ela sabia responder.
Quando finalmente encontrou o que procurava, pegou o celular e discou o número. Sentiu o estômago revirar — uma mistura de emoções estranhas tomou conta dela, e Laura tentou reprimi-las.
Ouviu o telefone chamando, mas era como se o destino dissesse que não devia fazer aquilo — ninguém atendeu.
Ela soltou um suspiro e jogou o celular sobre a penteadeira. Eram 5h40 da manhã. “Óbvio, quem é que liga a essas horas, Laura?”, repreendeu-se mentalmente. Mas a verdade é que mal tinha pregado o olho à noite, e a primeira coisa que fez ao acordar foi ligar pra Adrien.
Quando estava voltando pra cama pra se enroscar com Adele, ouviu o celular vibrando sobre a madeira da penteadeira.
Um arrepio percorreu seu corpo — afinal, como tinha imaginado, ninguém liga a essa hora a não ser pra devolver uma chamada.
Ela caminhou até o celular. Ao ver que a filha estava se mexendo, apressou o passo, pegou o aparelho e arregalou os olhos: era ele. Adrien estava retornando a ligação.
Por alguns segundos, ficou olhando pra tela, hesitante. Quando decidiu atender, já havia caído.
— Mmm... o destino está dizendo que a gente não deve conversar... — murmurou, dando de ombros. Voltou pra cama com o celular na mão.
Deitou-se e a bebê se virou em sua direção. Laura a envolveu com os braços, beijou-lhe a testa e enterrou o rosto nos cabelos da filha. O cheirinho doce da menina devolveu-lhe a calma.
Longe dali, na casa da família Bianchi, Adrien estava em pé na varanda do escritório. Desde que tinha visto a filha — e reencontrado Laura Pellegrini —, as coisas em casa não iam nada bem.
Não podiam ir bem quando culpa e arrependimento o atormentavam. O Adrien de um ano atrás não era nem sombra do que era agora.
Atualmente, ele trabalhava dia e noite pra provar que era um digno representante dos Bianchi. Em segredo, havia se matriculado na universidade. O trabalho como assistente nos negócios da família da esposa era apenas uma fachada pra abafar os boatos de que era sustentado.
O que poucos sabiam era que guardava quase tudo o que ganhava pra pagar as mensalidades da faculdade. Conseguiu terminar o ensino médio e agora estudava Finanças — coisa que nem a esposa sabia.
Adrien tinha sido o rebelde da família, mas, depois de ver o temperamento de Antonia, percebeu que o que ele fazia era brincadeira de criança. Ainda assim, ganhou fama e agora colhia as consequências.
Quanto menos tempo passasse com a esposa, melhor. Preferia dormir no escritório ou estudar ali mesmo. Naquela madrugada, estava mergulhado nos trabalhos da universidade quando o celular se iluminou com um nome que nunca imaginou ver de novo: Laura.
Olhou para a tela, achando que era alucinação. Quando foi atender, a ligação já tinha terminado.
Ainda atordoado, devolveu a chamada. Como ninguém atendeu, concluiu que tinha sido um engano. “Como Laura me ligaria? Isso é impossível”, pensou.
Tentou voltar ao que fazia, mas os olhos insistiam em olhar pro celular. Esperava que tocasse de novo, mas nada. A curiosidade o corroía, e acabou ligando outra vez.
O que de pior poderia acontecer? Que Laura dissesse que ligou por engano? Que gritasse com ele? Que deixasse claro o quanto ele foi idiota?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Prometo te amar. Só até ter que dizer adeus