Os dois arregalaram os olhos, incrédulos com o quanto meu plano era perfeito.
— Enquanto não pagam o seu resgate... será que poderia pagar a conta, senhora? — disse a atendente. — Caso contrário, terei que sequestrar a comida de vocês e chamar a polícia.
Polícia? Não, nem pensar. Um escândalo ali, junto de Lisandro, faria meu pai ficar furioso e isso arruinaria a sua reputação. E isso sim faria o meu pai ficar furioso.
Peguei a minha carteira e entreguei a bolsa para a mulher. Uma Hermès preta, básica, mas que valia mais do que todo aquele lugar.
Ela arqueou uma sobrancelha:
— Não aceitamos o pagamento em bolsas.
— Mande avaliar, garota — Lucy disse, irritada — essa bolsa paga essa espelunca toda e ainda sobra troco.
A atendente olhou para mim e depois para a bolsa e levou, certamente para mandar avaliar. Eu duvidava que alguém ali sabia o exato valor da minha bolsa.
— Você está louca, Paige! — Lisandro disse. — seu pai te mataria.
— Prefiro morrer a casar com um homem que eu nunca vi na vida, Lisandro. Eu quero ficar com você... para sempre. Pessoas ricas são sequestradas o tempo todo. E isso é até relativamente comum.
— Sim, é. E todos os sequestradores são presos e nunca mais saem da cadeia para contar a história.
— Isso quando não são mortos antes mesmo de chegar na delegacia. — disse Lucy.
Meu telefone vibrou. Olhei a mensagem:
“Olá, senhorita Paige! Meu nome é Helena Voss e fui contratada para coordenar seu casamento. Seu pai já autorizou o início dos preparativos e gostaria de agendar uma breve reunião para conhecer suas preferências e expectativas para o grande dia. Será um prazer ajudá-la em cada etapa. Aguardo seu retorno!”
Recostei-me no encosto do banco desconfortável, atordoada. Definitivamente, meu pai não estava brincando. Eu o conhecia o suficiente para saber que aquilo era sério.
Entreguei o celular para Lisandro, a fim de que ele visse a mensagem:
— Meu pai está disposto a sacrificar a própria filha em nome da carreira — senti um aperto no peito, real, como há muito tempo não sentia — Precisamos agir rapidamente. É a minha vida que está em jogo... o nosso amor, Lisandro.
— Isso é loucura! — ele disse, atordoado.
— Lisandro, está na hora de deixar de lado o seu moralismo. Ganharei tempo e deixarei tudo acontecer. Enquanto isso, procuramos a pessoa disposta a fazer isso.
— Quanto acha que cobrarão para sequestrar a filha do futuro presidente do país? — Lisandro me olhou.
— Nada que eu não possa pagar.

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