—Samuel Palmeira, foi você quem instigou tudo isso?! — perguntou a tia, fora de si.
Samuel Palmeira sorriu, tranquilo.
— A senhora acha mesmo que eu, um ex-presidente expulso do Grupo Palmeira, ainda teria alguma influência?
A tia, sem forças, quase desabou.
— Senhores, parece que vocês se esqueceram: a família Palmeira foi construída do zero pelo Pedro Palmeira. Vocês não têm qualquer direito sobre isso. Se tiveram a chance de enriquecer e prosperar, foi apenas porque o patriarca, movido pelo laço de sangue, ofereceu oportunidade a cada um de vocês. Todos puderam saborear os frutos do sucesso... uma pena, não? — suspirou o mordomo, entrando na sala com sua equipe.
O olhar do mordomo, ao encarar aqueles parentes gananciosos, era puro desapontamento.
A fortuna e o prestígio social concedidos pela família Palmeira haviam, pouco a pouco, feito com que perdessem o senso de quem realmente eram. Esqueceram completamente do lugar de onde vieram.
Será mesmo que o Grupo Palmeira não sobreviveria sem eles? Ou que a família Palmeira não seguiria adiante caso fossem excluídos?
Thiago Palmeira também entrou, sentando-se ao lado de Samuel Palmeira no sofá.
— Mano, esses tios e primos cometeram graves erros na empresa. O departamento jurídico apurou tudo. Segui o regulamento ao demiti-los. Você não vai se ressentir de mim, vai?
Samuel Palmeira ergueu as sobrancelhas, como se dissesse: “Como poderia...?”
— Thiago, o que significa isso? Somos todos da mesma família! Eu sou o mais velho! — gritou o tio, aflito. O velho Pedro Palmeira sempre valorizara os laços de sangue e as contribuições dos parentes, mas Thiago, que não crescera no seio da família, não sentia o menor apego por eles.
Naquele instante, todos finalmente perceberam o tamanho de seu erro.
Se Samuel Palmeira tivesse herdado o Grupo Palmeira tranquilamente, talvez, por consideração familiar, ainda lhes concedesse uma saída honrosa...
Mas Thiago Palmeira não lhes daria sequer essa chance.
— Em primeiro lugar, vocês não possuem ações do Grupo Palmeira. Em segundo, estavam apenas ocupando cargos na empresa. Durante esse período, se aproveitaram das posições para benefício próprio, e no ano passado, causaram um acidente nas obras que resultou em três mortos e um ferido. Se formos à raiz dos problemas, tudo isso é responsabilidade de vocês. O Grupo Palmeira não vai assumir a culpa pelos seus atos — declarou o mordomo, iniciando o acerto de contas.
Era chegada a hora de expor quem havia tumultuado a família Palmeira e convencido o patriarca a expulsar Samuel do Grupo Palmeira. Ele já sabia a resposta, mas queria ouvir da boca do culpado.
Aqueles tolos só agora percebiam que haviam sido usados como peões, servindo aos interesses de outro.
— Foi o Djalma Batista! Foi o Djalma Batista! — o tio chorava, agarrando-se ao braço de Samuel. — Samuel, nos ajude, ajude sua família!
— Vocês não têm mais chance — Samuel respondeu friamente, livrando-se do tio.
Aqueles aliados inúteis já deviam ter saído de cena há muito tempo.
Olhando agora, Samuel percebia como fora excessivamente indulgente no passado.
Thiago Palmeira, sentado no sofá, observava a determinação do irmão e não pôde deixar de estremecer.
No quesito implacabilidade, ele jamais conseguiria superar Samuel Palmeira.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...