Sofia entrou no carro de Ricardo.
Assim que se acomodou, primeiro agradeceu, e depois pediu desculpa.
Ela não queria envolver ele, mas, naquela situação, precisava de um namorado de fachada... e acabou recorrendo a ele.
— Você não precisa ser tão formal comigo. — Disse Ricardo, sorrindo e fazendo um gesto com a mão. — Aliás, fingir ser seu namorado até me favorece.
Sofia não conseguiu segurar o riso.
Enquanto ligava o carro, Ricardo acrescentou:
— Se precisar de novo, é só me chamar.
— Mas...
— Não estou ajudando de graça. Tenho uma condição.
Ele virou o rosto para ela.
Sofia parecia confusa, mas não desconfiada.
— Você não tem medo do que eu posso pedir? Tipo... que você se comprometa comigo?
Dessa vez, Sofia riu ainda mais.
— Você não é esse tipo de pessoa.
Era um elogio.
Mas Ricardo apenas sorriu de forma contida, com um leve suspiro preso no peito.
— Eu sei que você pediu demissão. Volta pra FY. Posso te oferecer um futuro melhor.
Ele disse isso sem olhar para ela, mantendo os olhos na estrada.
Mas o tom era sério o suficiente para que Sofia entendesse aquilo como uma proposta real.
Claro... havia um segundo significado ali.
Mas, por enquanto, ela não percebeu, e ele também não tinha pressa.
O carro ficou em silêncio por alguns instantes.
— Obrigada, Ricardo...
Esse começo já deu a ele um pressentimento nada bom.
— Me desculpa, mas não posso aceitar. Tenho outros planos.
— Nem pra mim você pode contar?
Ele sabia que ela era reservada.
Mas também sabia que ainda não era o momento.
— Quando eu tiver tudo planejado, eu te conto.
O carro entrou na Rua do Casarão Velho, em um bairro antigo.
Sofia achou que ele a deixaria na porta.

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