Sofia não tinha a menor intenção de assumir toda a culpa sozinha.
— Eu sou empresário. Meu objetivo é lucrar. Ser calculista faz parte da minha natureza.
Ela não quis prolongar a discussão.
Miguel sempre acreditava que tudo o que fazia estava certo, e que tinha motivos suficientes para agir assim.
— Na verdade, acho que seria melhor aproveitar essa situação e finalizar o divórcio de uma vez. Seus pais provavelmente pensam o mesmo.
Depois do escândalo, Antônio realmente tinha procurado Miguel.
Disse que a família não podia manter uma nora que, a qualquer momento, provocava um escândalo de divórcio e fazia bilhões evaporarem do valor de mercado do Grupo Castro.
Os dois permaneceram ali, no topo do prédio, enfrentando o vento frio, que já bagunçava seus cabelos.
Sofia sentia que ainda estava lúcida.
Mas não podia dizer o mesmo de Miguel.
— Miguel, eu posso retirar o processo. Mas você precisa refazer o acordo de divórcio. Eu não quero seu dinheiro, e você também não vai me fazer pagar nada.
— Pode ser.
Miguel aceitou com mais facilidade do que ela esperava.
— Quando as ações do Grupo Castro se estabilizarem, vamos ao cartório.
Dessa vez, Sofia percebeu uma breve hesitação.
Ele não respondeu tão rápido quanto antes.
— Tudo bem.
Mesmo assim, ele concordou.
Sofia soltou um suspiro de alívio.
Parecia que não havia mais nada a dizer. Ela se virou para ir embora.
— Sofia...
A voz de Miguel veio por trás.
— Além de Isabela e da criança... existe mais algum motivo para você querer tanto esse divórcio?
O passo de Sofia vacilou. Ela respirou fundo.
— Porque você não me ama.
A última palavra saiu trêmula, assim como o coração dela.
Era ela quem estava pedindo o divórcio.
Mas, no jogo do amor... foi ela quem perdeu completamente.
— Entendi. — Miguel respondeu.

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