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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra romance Capítulo 226

Sofia se lembrou, de repente, daquele funcionário que tinha se jogado do prédio por causa da queda no valor de mercado do Grupo Castro.

Se a empresa enfrentasse uma mudança na estrutura acionária, não seriam apenas a família Castro e os executivos afetados — incontáveis funcionários também seriam impactados.

Sofia respirou fundo e falou com calma:

— A Laura é minha amiga. O Grupo Castro é a sua empresa. Não tem nada a ver comigo.

Ela não desviou o olhar.

Ergueu o rosto e encarou Miguel diretamente, com firmeza nos olhos e na voz.

Percebeu com clareza: os olhos dele estavam cheios de decepção.

O quarto mergulhou em um silêncio pesado, frio, quase sufocante.

Foi Miguel quem quebrou o silêncio.

— Eu devia ter percebido antes o quanto você é fria e egoísta.

Sofia pensou que aquela frase descrevia melhor o próprio Miguel.

— Estamos quites — respondeu.

A expressão fria dele mudou de repente, dando lugar a um sorriso carregado de sarcasmo.

Em seguida, ele apagou o cigarro.

— Você acha mesmo que pode me prejudicar assim e sair ilesa?

A expressão de Sofia mudou.

Antes que pudesse reagir, Miguel já a tinha empurrado contra a cama.

Ao ver o rosto dela — pálido, assustado — ele pareceu satisfeito.

— Já que sua perna não ajuda... você não vai fugir. Que tal a gente se divertir um pouco? Em outro lugar, talvez seja ainda mais interessante.

— Miguel!

Sofia pegou um objeto da mesa de cabeceira e tentou acertar nele, mas Miguel a imobilizou com facilidade.

Ela não conseguia se mover.

O medo tomou conta, esmagador, sufocante.

— Nunca fiquei com alguém nessa condição... talvez eu não tenha muito cuidado.

Ele segurava os dois braços dela com uma das mãos.

A outra estava livre, bastava um movimento para rasgar a roupa dela.

Sofia mordeu os lábios até machucar.

Os olhos estavam vermelhos. O corpo tremia, de medo ou de raiva, nem ela sabia.

Dentro de Miguel, aquele impulso cruel de vingança começou a se dissipar.

A mente, antes em ebulição, foi esfriando.

Arthur olhou para ele, hesitante, como se quisesse dizer algo — mas não tinha coragem.

Miguel vestia roupas de montaria mais casuais: camisa de seda vinho, colete de camurça preto, calça de montaria e botas.

O visual misturava elegância clássica com um toque moderno.

Mas a expressão dele estava péssima.

Arthur queria saber o que tinha acontecido, mas não ousava perguntar.

Miguel tinha sido quem o chamou.

A voz, no telefone, parecia normal. Arthur nem pensou muito antes de ir.

Mas, quando encontrou ele, percebeu que o humor dele estava longe do habitual.

Eles já tinham dado mais de dez voltas na pista.

Arthur estava exausto, ofegante.

Ainda bem que o percurso era circular.

Se fosse em linha reta, Miguel já teria desaparecido, ele não teria conseguido acompanhar.

O clima entre os dois era tenso.

A presença de Miguel já era naturalmente imponente.

E, quando estava irritado... ainda mais.

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