Henrique percebeu que Sofia estava com frio, tirou o próprio paletó e colocou sobre os ombros dela.
— O que foi? Pelo jeito, você não consegue dormir.
Sofia esboçou um sorriso leve, um pouco cansado.
— Acho que conversamos demais hoje... minha cabeça ainda está agitada.
— Você ainda se culpa? Eu já acordei... e, no fim, até saí ganhando com tudo isso.
Sofia ficou olhando para ele.
Os olhos de Henrique eram lindos, profundos, escuros e brilhantes, como se refletissem pequenos diamantes.
— Será mesmo que você saiu ganhando?
Ela não conseguiu esconder a preocupação.
Henrique havia contado tudo sobre o que aconteceu depois que acordou.
Era uma história quase inacreditável.
Um estudante exemplar sofre um acidente, entra em estado vegetativo, depois desperta milagrosamente e, como se não bastasse, se torna ainda mais brilhante, conquistando um doutorado em apenas dois anos e sendo disputado por vários países.
Mas, para Sofia, aquilo não parecia normal.
Ela temia que fosse algum tipo de sequela.
Ou pior, que aquele milagre escondesse algum risco para a saúde dele.
— Eu sinto que... arruinei a sua vida...
Se o acidente nunca tivesse acontecido, Henrique teria chegado ao mesmo lugar, talvez até melhor, sem desvios, sem riscos.
Henrique balançou a cabeça.
— Não. Na verdade... fui eu que arruinei a sua.
Sofia ergueu o olhar, surpresa.
Então Henrique tirou algo do bolso da calça.
Uma caixa.
— Você já me deu um vestido caríssimo... não posso aceitar mais nada.
Sofia tentou recusar.
Ela acreditava que o vestido que ele havia comprado, aquela peça única, era uma forma de compensar o dinheiro que ela gastou com o tratamento dele.
Henrique percebeu o que ela pensava, mas não disse nada.
— O vestido foi sua armadura. Isso aqui... é para te ajudar a dormir.
Ele abriu a caixa.
Sofia ficou em choque.
Na palma da mão dele estava...

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