— Isto é para você...
Miguel estendeu o presente sem encarar Sofia.
Não tinha coragem de olhar nos olhos dela.
Estava tão inquieto e nervoso que o suor começava a surgir nas têmporas.
Sofia não pretendia aceitar, mas, ao ver Miguel naquele estado, acabou pegando a caixa por impulso.
Era pequena, cabia na palma da mão e tinha um acabamento delicado.
Ao abrir, encontrou um colar.
Pelo que conhecia de Miguel, caso decidisse presentear alguém com uma joia, provavelmente escolheria uma peça chamativa, com uma pedra enorme e um design extravagante.
Afinal, aquilo combinava muito mais com o jeito autoritário e ostentador dele.
Mas aquele colar era completamente diferente.
A peça era discreta, perfeita para o dia a dia, feita em ouro de diferentes tonalidades.
O pingente tinha um formato especial, composto por pequenas pedras coloridas.
Na parte inferior, uma fluorita luminescente deixava a joia ainda mais marcante.
— Isto é...
Miguel explicou:
— Um vaga-lume.
O coração de Sofia deu um salto.
Um vaga-lume...
Ela sabia que Miguel não tinha escolhido aquela peça por acaso.
Certa noite, na unidade socioeducativa, ele capturou um vaga-lume às escondidas e entregou o inseto para ela.
Naquela época, era um vaga-lume de verdade.
Em meio àquele lugar fechado e sufocante, a pequena luz parecia um sinal de esperança rompendo a escuridão.
Mas o vaga-lume morreu no dia seguinte.
Sofia ficou tão triste que começou a chorar.
— Você nem chorou quando foi parar na cela de isolamento. Agora está assim só porque um vaga-lume morreu?
Miguel queria consolar Sofia, mas não entendia que ela não estava sofrendo apenas pelo inseto.
A tristeza era ainda maior porque aquele vaga-lume tinha sido um presente dele.
Irritada por Miguel não compreender seus sentimentos, Sofia virou as costas e foi embora.
Ela era sua esposa.
Por isso, quando viu Sofia vestida de noiva e ouviu que ela iria casar com Henrique, perdeu completamente o controle.
Mas, mesmo que explicasse tudo, Sofia provavelmente consideraria aquilo apenas uma desculpa.
Talvez até achasse que um sonho daqueles já era uma ofensa.
Miguel levou a mão à testa, dominado pela angústia.
— Pode considerar um pedido de desculpas. Ou um agradecimento por ter feito eu acordar.
Assim que ele terminou, Sofia fechou a caixa e devolveu o presente.
— Não preciso de um presente para compensar o que aconteceu nem de agradecimento.
A decepção tomou conta do rosto de Miguel.
— O que aconteceu ontem à noite já não importa para mim. Você também não precisa continuar pensando nisso.
Quanto mais tranquila Sofia parecia, mais Miguel sofria.
Ele preferia que ela ficasse furiosa, gritasse, xingasse ou até batesse nele.
Qualquer reação seria melhor do que aquela indiferença.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Terminou assim ou ainda continua?...
O que houve que parou de atualizar os capítulos a semanas?...
Merecemos mais um capítulo com final digno depois de tanta esperada e leitira...
Mas já acabou cap. 882...
Cadê a continuação?...
E acabou assim? Ela nem disse para ele que é o pai do menino. Nem teve o casamento novamente. Uma declaração da parte dela. Não gostei do final....
Só libera até o capitulo 845? Como faz para comprar e ler o resto?...
Quantos capítulos tem esse livro? Não acaba nunca 😢...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...