Sofia virou o rosto por reflexo e só então percebeu como estava perto de Miguel.
Ela recuou depressa.
Ao notar o desconforto dela, Miguel abriu um leve sorriso e também aumentou a distância entre os dois.
— Você parece cansada. Comer alguma coisa doce pode ajudar a repor as energias.
— Melhor não. Tenho medo de ficar com sono depois.
— E frutas?
— Frutas podem ser. Tem alguma coisa no avião?
— Caso não tenha, posso pedir para o piloto fazer uma escala e comprar.
Sofia caiu na risada.
Aquilo era um avião, não um carro.
Não dava para simplesmente parar quando tivesse vontade.
— Pode trazer o que tiver.
Miguel já sabia que ela nunca fazia muita exigência quando o assunto era comida.
Pouco depois, trouxeram dois cachos de uva, um verde e outro roxo.
Miguel estava prestes a perguntar qual Sofia queria provar primeiro quando percebeu que ela parecia ter encontrado uma nova inspiração.
Com a cabeça baixa, desenhava com total concentração.
Como não queria interromper, ele tirou uma uva roxa do cacho, retirou a casca com cuidado e levou a fruta até a boca dela.
Sofia ficou imóvel por um instante e ergueu os olhos, surpresa.
Miguel mantinha uma expressão perfeitamente natural, como se descascar uma uva e colocar na boca dela fosse a coisa mais comum do mundo.
— Eu mesma pego.
— Você está desenhando. Deixa comigo.
— Mas...
— Nada de mas. Eu gosto de descascar uvas. Não estou fazendo isso só por você.
Sofia ficou sem palavras.
Conhecia Miguel havia tantos anos, mas aquela era a primeira vez que ouvia falar desse suposto gosto por descascar uvas.
Apesar do constrangimento, acabou comendo a fruta que ele mantinha diante de seus lábios.
A uva era doce, suculenta e muito saborosa.
Miguel pegou uma uva verde e começou a retirar a casca.
Enquanto desenhava, Sofia aceitava as frutas que ele levava até sua boca.
Aos poucos, uma sensação estranha começou a agitar seu coração.
Ela nunca imaginou que um dia Miguel descascaria uvas para ela com as próprias mãos.
Porém, depois de todo o desgaste da viagem, acabou adormecendo sem perceber. E dormiu profundamente.
Miguel continuou sentado ao lado dela, com o rosto levemente virado, observando em silêncio suas feições adormecidas.
Era evidente que Sofia estava exausta.
O cansaço dos últimos dias marcava seu rosto, deixando sua aparência abatida.
Com cuidado, ele amparou a cabeça dela e apoiou no próprio ombro.
Durante todo o tempo em que Sofia dormiu, Miguel permaneceu imóvel para não acordar ela.
Nem mesmo quando o ombro começou a doer e ficou quase completamente dormente.
Quando Sofia abriu os olhos, o céu já começava a clarear.
Ela ficou surpresa ao perceber que tinha dormido por tanto tempo.
Mais inesperado ainda foi descobrir que continuava com a cabeça apoiada no ombro de Miguel.
Sofia olhou para a camisa branca dele e viu uma grande mancha de suor na região do ombro.
— Desculpa. Você poderia ter afastado minha cabeça...
— Não tem problema. Você ficou assim por pouco tempo.
Miguel respondeu com toda a naturalidade.
Sofia não quis descobrir se aquilo era verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Terminou assim ou ainda continua?...
O que houve que parou de atualizar os capítulos a semanas?...
Merecemos mais um capítulo com final digno depois de tanta esperada e leitira...
Mas já acabou cap. 882...
Cadê a continuação?...
E acabou assim? Ela nem disse para ele que é o pai do menino. Nem teve o casamento novamente. Uma declaração da parte dela. Não gostei do final....
Só libera até o capitulo 845? Como faz para comprar e ler o resto?...
Quantos capítulos tem esse livro? Não acaba nunca 😢...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...
Achei que a história tinha ficado um pouco perdida quando ela se fez de morta mas agora com eles investigando Júlia tô voltando a achar interessante mas tô com saudades dos outros personagens, eles traziam graça pro livro🥹...