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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra romance Capítulo 734

Cemitério Recanto da Saudade.

O dia estava ensolarado, embora o ar ainda estivesse um pouco frio.

Thiago estacionou ao pé da colina.

Pelo menos, naquele dia, Miguel não ficaria diante da lápide debaixo da chuva até desmaiar, como da última vez.

Mesmo assim, por precaução, tentou acompanhar ele na subida, mas Miguel não permitiu.

Thiago já esperava por aquela reação.

Miguel começou a subir sozinho os degraus de pedra.

A longa escadaria se estendia diante dele, sem que fosse possível enxergar onde terminava.

Seus passos eram lentos, como se as pernas estivessem pesadas demais.

Por fim, chegou ao destino.

O túmulo de Sofia estava ali.

A lápide, no entanto, já não era igual à da última vez.

Uma nova frase havia sido gravada: [Esposa de Miguel.]

Miguel se curvou e estendeu a mão.

Com a ponta dos dedos, acariciou aquelas palavras delicadamente.

— Meu amor, vim ver você.

Sua voz saiu baixa e carinhosa, levemente rouca.

O túmulo tinha passado por uma reforma.

Além da nova inscrição, agora havia um pequeno compartimento com tampa deslizante na parte inferior da base, destinado a guardar lembranças.

Miguel abriu o compartimento, retirou algumas velas e acendeu uma por uma.

Depois, permaneceu em silêncio diante da lápide, prestando sua homenagem.

Em seguida, tirou do bolso interno do paletó uma pequena caixa vermelha.

— Isto é para você...

Ao abrir a caixa, revelou o anel de diamante vermelho que Sofia tinha desenhado pessoalmente e que jamais havia sido colocado à venda.

Miguel sempre imaginou que daria aquele anel a Sofia quando ela estivesse disposta a voltar com ele.

— Pena que... acabei entregando tarde demais...

Ele contemplou o diamante vermelho que reluzia sobre o aro, e as últimas palavras saíram carregadas de amargura.

Sob a luz, o raro tom escarlate brilhava com intensidade.

Aos olhos de Miguel, porém, aquela pedra parecia ter sido formada pelas gotas de sangue que escorriam de seu próprio coração.

Foi justamente com Sofia que perdeu todo o controle.

Miguel abriu os olhos lentamente.

Por trás da visão embaçada pelas lágrimas, havia apenas uma lápide fria.

Sua voz saiu sufocada pelo choro.

— Você sempre foi assim... Sempre fazendo alguma coisa que eu jamais conseguiria prever...

Na época em que estava na unidade socioeducativa, Miguel acreditava que seria o primeiro a ser mandado pelos monitores para a sala de isolamento.

Para sua surpresa, porém, uma garota que tinha chegado havia menos de uma semana acabou sendo a primeira a receber aquele castigo.

Os longos cabelos de tom acinzentado e o aparelho metálico nos dentes deixaram uma impressão profunda nele.

Miguel não conseguiu conter a curiosidade.

Até que ponto aquela garota seria rebelde para ter sido mandada a um lugar daqueles?

Ele ouviu os outros comentarem que algumas pessoas tinham sofrido um colapso mental depois de passar pela sala de isolamento.

Outras chegaram a bater a cabeça contra a parede na tentativa de tirar a própria vida.

Miguel não queria que ela também enlouquecesse ali dentro.

Por isso, todos os dias, ia às escondidas até a cela de isolamento e jogava uma bala para dentro pela única abertura estreita de ventilação.

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