— Não é nada.
Miguel terminou a tigela inteira.
O estômago relaxou quase de imediato.
Ao ver a expressão dele suavizar, Isabela sorriu.
— Você precisa cuidar melhor desse estômago. Se for parar no hospital de novo, não é só a Eunice que vai morrer de susto. Eu também vou.
— Obrigado pela preocupação.
O olhar que Miguel dirigiu a Isabela era o mesmo de sempre, gentil, tranquilo.
Isabela se sentiu mais segura.
Mesmo que ele ainda não tivesse se divorciado de Sofia, ela acreditava que era apenas questão de tempo.
Durante toda a tarde, Isabela não voltou ao departamento.
Permaneceu no escritório de Miguel.
Em todo o Grupo Castro, só ela tinha esse privilégio.
Ao fim do expediente, Isabela marcou de sair com amigas.
Miguel deixou Isabela no shopping e foi embora.
No caminho de volta, passou pelo prédio do Grupo Castro.
A fachada de vidro estava completamente escura — exceto por uma única luz acesa, que se destacava na noite.
Miguel seguiu adiante, mas, ao chegar ao próximo semáforo, fez um retorno brusco e voltou.
O departamento de design era o único ainda iluminado às dez da noite.
Ele entrou sem fazer barulho.
Sofia estava adormecida sobre a mesa, cercada por pilhas de pastas.
Nas outras mesas, havia apenas objetos pessoais e computadores.
Miguel pegou Sofia no colo.
Achou que ela acordaria, mas Sofia continuou dormindo, até roncava baixinho.
Ele franziu a testa.
Ela parecia mais leve do que antes.
No estacionamento subterrâneo, Sofia só despertou quando foi acomodada dentro do carro.
O ambiente desconhecido e o rosto perigoso de Miguel fizeram o corpo dela estremecer.
— Onde eu estou? Como vim parar aqui?
A ansiedade evidente arrancou um leve sorriso dele, mas os olhos estavam ainda mais frios.

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