Na verdade, ele só queria ver Uvinha.
Brincar é da natureza de toda criança.
Logo, Uvinha estava completamente à vontade.
Ao tentar subir por uma rede de cordas, a um metro do chão, seu pé escorregou e ela caiu.
— Cuidado!
Fagner instintivamente tentou segurá-la.
Mas a pequena figura se levantou com agilidade.
Só então Fagner percebeu que havia levado um susto enorme, seu coração batia descompassado.
A pequena à sua frente bateu a areia da roupa e olhou para ele com um sorriso.
— Estou bem, senhor. Mamãe disse que, quando a gente cai, é só levantar que fica tudo bem.
Fagner não conseguia imaginar como Noa havia conseguido criar a filha sozinha por todos esses anos.
A criança havia sido educada por Noa para ser forte e corajosa.
E era tão delicada quanto Noa na infância.
As roupas da menina estavam um pouco gastas, mas impecavelmente limpas.
Uma pontada de amargura atingiu o coração de Fagner.
Se Uvinha fosse mesmo sua filha, será que ele havia julgado Noa mal cinco anos atrás?
Ao ver o aparelho auditivo na orelha de Uvinha, Fagner ficou perplexo.
— O que aconteceu com o ouvido dela?
Uvinha apontou para a orelha direita.
— Este aqui não escuta. O senhor pode falar perto da minha orelha esquerda!
Uma raiva inexplicável subiu dentro dele.
— Que tipo de mãe é a Noa?
Em sua fúria, Fagner nem percebeu que havia elevado a voz.
Para os ouvidos de Uvinha, o som pareceu ainda mais alto.
Assustada, ela se encolheu novamente.
Fagner percebeu seu erro e, sentindo-se culpado, baixou o tom de voz.
— Desculpe, o tio vai falar mais baixo.
Uvinha ficou descontente.
— Não foi culpa da minha mãe. Nós duas estávamos na prisão, eu tive uma febre muito alta e não deu tempo de ir para o hospital. Foi por isso que meu ouvido estragou. Não fale mal da minha mãe.
Ninguém podia culpar sua mãe.
Sua mãe era a melhor mãe do mundo.
— O que você está fazendo aqui?

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