Desligou o telefone.
Os dedos de Evelina Sampaio apertaram o celular. Ela baixou o olhar, e uma tristeza profunda espalhou-se de seu coração para todo o corpo.
A jovem assistente, Alice Teixeira, olhou para ela com olhos marejados, quase chorando.
Ela havia acompanhado Evelina desde o início do estúdio, sabia o quanto aquilo significava para ela.
Houveram dificuldades e cansaço, mas por amor à fotografia, Evelina persistira.
Foi difícil conquistar o sucesso de hoje, e agora era forçada a fechar tudo.
Alice nem conseguia imaginar o tamanho do golpe que isso representava para Evelina.
“Evelina...”
Alice a olhou, tão triste quanto preocupada.
“Estou bem.” Evelina conteve o amargor no peito, forçou um sorriso para tranquilizá-la.
“Entre em contato com os clientes que agendaram sessões nos próximos dias e cancele os atendimentos. Qualquer compensação que não seja absurda, aceite. Se tiver algum problema que não consiga resolver, me avise.”
Alice piscou e as lágrimas subiram aos olhos. “Evelina, não tem mesmo jeito? Eu não quero te perder...”
Evelina levantou a mão e enxugou as lágrimas de Alice, sorrindo. “Pronto, é só o estúdio que vai fechar, não é como se eu fosse morrer, ainda vamos nos ver, tá?”
“Credo, não fala em morrer.”
Alice realmente temia que Evelina fizesse alguma besteira, abraçou-a forte, com os olhos vermelhos. “Evelina, me diz quem foi, eu xingo essa pessoa, eu amaldiçoo ela!”
Evelina piscou, o estúdio era tudo para ela; se Alice não queria que acabasse, ela mesma queria menos ainda.
Mas o que podia fazer?
Em termos de habilidade, de meios, de falta de escrúpulos, ela não podia competir com Marco Carvalho.
Mas se ele achava que ela cederia dessa forma, estava redondamente enganado.
Ela deu leves tapinhas nas costas de Alice e a consolou em voz baixa: “Não chore mais, não é nada demais, eu vou dar um jeito.”

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