João Rios acabara de sair de uma reunião e chegou em casa quase às onze.
Ele não dava muita importância às travessuras do filho.
Viu a mãe dele?
Isso era impossível.
Afinal, ele procurava aquela mulher há três anos.
Assim que João Rios tirou o paletó e o pendurou no cabide, notou uma figura sorrateira no escritório.
Ele aproximou-se silenciosamente; o pequeno estava revirando algo no bolso de seu paletó.
João Rios era um homem antiquado e extremamente rigoroso com o filho:
— Isaque Rios, o que você está revirando?
Isaque Rios ficou pálido de susto, escondeu as mãos nas costas e balançou a cabeça incessantemente:
— Nada, papai, por que ainda não foi dormir?
— Mostre agora! — João Rios estava com o rosto sério e o tom de voz era extremamente gelado.
Isaque Rios estufou as bochechas, balançando a cabeça:
— Não tem nada mesmo!
— Isaque Rios. — O homem se aproximou. — Eu não te ensinei que crianças não podem mentir?
Ele esticou o braço e tirou a carteira que o garoto escondia na palma da mão, franzindo a testa:
— Para que você pegou minha carteira?
Dentro não havia nada além de um pouco de dinheiro vivo e cartões.
Isso era o que João Rios não entendia.
O filho não passava necessidade de dinheiro.
Isaque Rios ficou com o rosto vermelho e os olhos marejados:
— Então me dê a foto da mamãe que está aí dentro!
— Eu vi antes, uma foto 3x4! Papai, me dá!
A pupila negra de João Rios contraiu-se bruscamente; sua respiração acelerou, e seu peito subiu e desceu algumas vezes antes de ele abrir a boca:
— Quem te disse que aquela era sua mãe?
— Era só uma foto, joguei fora faz tempo!
As emoções de Isaque Rios de repente se exaltaram.
— Como você pôde jogar fora a foto da mamãe?! Papai, você é muito mau!
Isaque Rios chorava soluçando:
— A mamãe só tinha aquela foto, como você pôde jogar fora?! Aquela era minha mãe, eu sei! Você até falava com aquela foto!
— Papai, eu odeio você!

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