Por insistência da avó, Viviane passou por um resguardo rigoroso de dois meses após o parto.
Ela não precisou levantar um dedo. As crianças eram cuidadas por Osvaldo Rios e pela enfermeira particular, em turnos.
A maior parte do trabalho ficava com a enfermeira, mas Osvaldo aprendia tudo com uma dedicação impressionante.
A mulher olhava para ele com admiração:
— Dona Viviane, eu já trabalhei em tantas casas, mas é a primeira vez que vejo um pai tão dedicado quanto o Sr. Rios.
— A maioria dos pais nem chega perto, viu?
A enfermeira tagarelava contando fofocas de outras famílias ricas para Viviane, que apenas sorria, suave:
— É, ele é muito bom mesmo.
Nos três primeiros dias depois de ela sair da sala de cirurgia, Osvaldo passava muito tempo olhando para a cicatriz no abdômen dela e derramando lágrimas.
Ele chorava escondido, achando que ela não estava vendo.
Era difícil imaginar que o todo-poderoso CEO do Grupo Rios, o homem que os próprios irmãos queriam envenenar para que calasse a boca, choraria escondido porque a esposa teve filhos.
— Osvaldo, o Ribamar está chorando.
Ele estava ninando a filha, e Viviane fez questão de lembrá-lo de não esquecer o menino.
Osvaldo fez um bico descontente.
— Esse moleque é muito rebelde. Chora o dia todo, não é nada forte.
Viviane Santos: ...
Ela revirou os olhos, perdendo a paciência:
— Queria ver se você, com dois meses de idade, não chorava nunca!
— Você é que é forte. Você já nasceu forte, tá bom assim?
Ao ver que a esposa estava ficando irritada, Osvaldo tratou de bajulá-la na mesma hora:
— Não fica brava, amor. Acabou de sair do resguardo, não pode passar nervoso.
Mas, na hora de pegar o filho no colo, ele fez uma careta para o bebê:
— Tudo culpa sua. O papai levou bronca por sua causa.
Ribamar deu um solavanco e golfou leite. Exatamente no olho de Osvaldo.
O espírito vingativo do moleque era igualzinho ao do pai.
Foi só quando os bebês completaram um aninho que Viviane encerrou sua longa licença-maternidade e voltou a trabalhar na empresa.
A empresa de Osvaldo não sofria com a ausência dele. Ele ia ao escritório uns três dias por semana, e passava os outros dois em casa com as crianças.
Certa vez, em uma entrevista, perguntaram a ele:
— Diretor Osvaldo, todo mundo no mercado corporativo está te chamando de 'papai coruja'. O que o senhor acha desse apelido?
Ele não deu a mínima para o tom sarcástico da pergunta.
— Ué, é só olhar para mim. Eu sei ser um ótimo pai e ainda ganho dinheiro. Não é por nada não, mas os outros homens deviam se esforçar mais. Nem espero que me superem, mas tentem pelo menos chegar na sujeira da minha unha.
O repórter ficou com o rosto vermelho como um pimentão, furioso, mas sem coragem de retrucar.
Mas, quando chegou em casa, não sobrou nada daquele Osvaldo arrogante que havia humilhado a imprensa.

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