Aquele 'empatado em segundo lugar' custou caro. Viviane Santos só conseguiu acordar às duas da tarde do dia seguinte.
Do lado de fora do quarto, as vozinhas doces chamavam sem parar:
— Mamã, mamã!
Dona Lacerda tentava distraí-los com toda a paciência do mundo:
— A mamãe está dormindo. Vamos brincar lá na sala, vamos?
— Não, qué mamã!
— Mamã, mamã!
Viviane, ignorando a dor no corpo todo, deu um jeito de se arrumar rapidamente e abriu a porta para as crianças.
Os dois toquinhos de gente quase pularam em cima dela, esticando os bracinhos para serem carregados. Viviane olhou para a babá:
— Cadê ele?
— Dona Viviane, o senhor foi para a empresa.
Ah, fugiu rápido.
Como era raro ter um dia de folga, Viviane passou a tarde inteira brincando com os filhos. Porém, quando começou a anoitecer, ela entregou os dois para a babá e saiu de casa.
Por causa disso, quando o culpado e temeroso Osvaldo voltou do trabalho, descobriu que a esposa não estava.
— Dona Lacerda, onde está a Viviane?
A governanta sorriu:
— A dona Viviane disse que tinha um compromisso à noite e que não viria para o jantar.
O coração de Osvaldo deu um salto. Ele começou a se questionar se tinha exagerado na dose na noite passada.
Deu nove da noite e nem sinal de Viviane.
Ele não aguentou e ligou para o celular dela.
Ela atendeu.
— Aai...
Um gemido abafado veio do outro lado da linha, e o estômago de Osvaldo embrulhou na mesma hora.
— Amor, onde você tá?
— Hm, ocupada. Volto mais tarde.
Osvaldo ia perguntar mais alguma coisa, mas a esposa desligou o telefone na cara dele antes que pudesse formular a frase.
...
Aquele gemido manhoso não saía da cabeça dele. Por que ele sentia que tinha acabado de ganhar um belo par de chifres?
Ele ligou imediatamente para os seguranças e descobriu que Viviane tinha ordenado, expressamente, que ninguém a seguisse naquele dia.
Pronto. Agora parecia mesmo que ela estava aprontando.
A luz dos postes deixava a sombra dele bem longa no chão. Osvaldo vestiu um sobretudo. O vento da noite de início de inverno já estava bem gelado.
Dez da noite. Finalmente os faróis de um carro iluminaram a entrada.
Era ela chegando!
Osvaldo seguiu o carro até a garagem da mansão e ficou encarando a mulher descer do veículo com um olhar carregado de mágoa.
Viviane não tinha notado a presença dele. Só tomou um susto quando o viu de pé ali na frente.
— O que você tá fazendo aí no escuro? Que susto!

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