"O que aconteceu agora?"
Fatima gritava e chorava: "O credor do seu irmão veio à nossa porta, quer tomar nossa casa."
Finalmente, esse dia tinha chegado.
A casa da família ficava em Aldeia Natural, era uma herança dos antepassados. Aldeia Natural já existia há mil anos, mas, quando ela nasceu, o vilarejo ainda era muito pobre. Só mais tarde foi transformado em ponto turístico, e então os imóveis começaram a valorizar.
Isso atraiu alguns empresários, que queriam investir na vila histórica e tentaram comprar as casas dos proprietários para fazer um grande empreendimento.
Mas aquela casa era uma herança de família, e enquanto o avô estava vivo, ele sempre se opôs firmemente à venda.
Quando ela estava no ensino médio, o pai se envolveu com jogos de azar, e o avô faleceu naquele mesmo ano.
Antes de morrer, o avô fez questão de avisá-la: se algum dia o pai quisesse vender a casa, ela deveria impedir a qualquer custo, senão ele não descansaria em paz.
Basta um viciado em jogo para arruinar uma família, quem dirá quando são dois.
Não havia o que fazer, ela precisava voltar à Aldeia Natural.
Depois de mais de uma hora de táxi, finalmente chegou à casa onde não punha os pés havia muito tempo.
Se não fosse por problemas como aquele, talvez nem seria bem-vinda.
Antes mesmo de entrar, já ouvia sons de móveis sendo quebrados e o choro de Fatima.
"Pelo amor de Deus, parem com isso."
"Quem deve, paga. É o justo." O cobrador-chefe falava com autoridade. "Se vocês não pagarem hoje, a casa vai ficar comigo como garantia."
"Não pode ser, essa casa é da família, não podemos entregá-la pra vocês."
"Então se preparem para enterrar o seu filho."
"Quanto desta vez?" Katarina perguntou, sem expressão.
O cobrador tirou a nota promissória: "Duzentos mil, está tudo aqui."
No rosto impassível de Katarina surgiu um sorriso irônico. Ela recusou de imediato: "Não tenho dinheiro."
Antes que o cobrador dissesse qualquer coisa, Fatima afirmou com convicção: "Ela tem dinheiro!"
Ela sorria para o cobrador e, ao mesmo tempo, puxava a manga de Katarina, dando-lhe sinais com os olhos: "Katarina, como assim você não tem dinheiro? Seu marido é tão rico, duzentos mil não é nada pra ele."
Katarina ignorou Fatima e perguntou ao cobrador: "E o Rolando Serpa?"
O cobrador deu de ombros, resignado: "Também estamos procurando por ele há dias, mas não encontramos."
"Ainda bem que sabemos que ele mora aqui."

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