Rui ficou tenso e virou o rosto para Enzo., mas só viu os passos dele atrasando e não enxergou nenhuma emoção ali.
Helena encontrou com Enzo, adiantou um pisão pra frente e falou com toda convicção: — Foi você, te agradeço pro resto da vida.
— Foi você?
Rui começou a girar sem lugar de tão tenso. Observou a menina com os olhos banhados transbordando expectativa, enquanto o próprio chefe sequer deu indícios de ter mexido um músculo para encarar ela.
Enzo arrastou os olhos com um peso sem fundo e uma voz deprimida e fraca: — Não fui eu.
Rui estava tão tenso que queria bater a cabeça na parede.
Mas não poderia fazer isso.
O olhar do sujeito varreu o rosto de Helena, atropelando o corpo dela e caindo dentro da cabine do elevador.
Rui escorregou os olhos por cima dela de mãos atadas.
Helena desmontou os ombros levemente e engatou os pés no recinto.
Se grudou numa fresta do paredão de inox e acompanhou as costas compridas de Enzo sem curvar na frente dela.
Não foi ele?
Só que as duas silhuetas eram idênticas.
Subiu o braço no susto. Queria cutucar o ombro do homem.
O alerta tocou nas portas do elevador, dando um atropelo.
Acompanhou os passos ligeiros varando ele pra fora.
Ajoelhou nos próprios dedos por reflexo e despachou as pernas saindo do cubículo.
Ali na saída do complexo, Enzo pegou Arthur estancado perto de um veículo, a poucos metros e estacionou a caminhada.
Helena também enxergou o cara. Desceu o tronco pra Enzo numa curvada de frente: — Muito obrigada por todos esses dias em Manhattan.
— Vou indo pro país na frente.
Ela tinha muita vontade de perguntar quando ele voltaria.
Ainda iria caber ir lá pro Vale do Silício?
Só que com o tom frio e cortante, ela segurou as amarras e engoliu em seco.
Roberto estourou a retina piscando um flash: — Aquele é o Sr. Rossi?
Ele espichou os bicos pro avião executivo a centímetros.
— Ele bate no país hoje mesmo?
— Deixa comigo, vou caçar o cara para ver se rola juntar os trapos na decolagem.
Arthur meteu as patas barrando Roberto no automático. A mira pulou reta em cima de Helena.
Helena abriu as asas escorrendo a visão pro nada, topando com o barulhinho do celular berrando, puxou a ligação.
— Arthur, nós temos que sumir pra casa agorinha. — Roberto botou na lata de Arthur, e com isso o maluco largou os apertos nos braços, despachando o mais velho ir caindo nas costas de Enzo. Só estalou a testa em bicos pontiagudos de leve.
Ela ficou de orelha entupida pro assunto do telefone. No sem-querer largou os olhos pousados longe, nos traços alongados escorando a firmeza do vulto do Enzo: — Oficial Souza?
— Sra. Ferreira, acionei umas ligações e achei uns moços das tropas militares passando as botas por lá no fatídico. Deram fé absoluta de que no ringue da colisão rolava a marca de um caboclo freando na sua dianteira, só pra receber os capotamentos do impacto.
— E ele não esbarra no Sr. Ferreira, não.
Pegando o Roberto virado andando do ladinho do sujeito com pinta enfeitada e reta no cara-a-cara, a bateria acelerou com pancada repentina. Seu pescoço tremiu e as palavras saíram engasgadas: — E qual era o nome desse homem?

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