— Ele e a Sophia já estão se preparando para ter um filho, a senhora ainda quer que eu continue engolindo isso? — Ela encarou sua mãe, cuja expressão, até então rígida, finalmente cedeu um pouco.
Contudo, ela continuava firme.
— O Sr. Ferreira jamais aceitaria um filho ilegítimo.
— Ele me traiu e nunca sentiu nada por mim.
— Este não é o casamento que planejei e não irei mudar minha decisão.
Isabela estava tão nervosa que seu corpo tremia: — Se me desobedecer, não me chame mais de mãe!
Percebendo que o rosto da mãe se encontrava branco como papel, Helena suavizou a voz, assustada: — Mãe, hoje a lei funciona e eu não aceito a ideia de que possam cometer qualquer atrocidade de novo. Ademais, possuo capacidade de cuidar de mim mesma e da senhora.
Mas sua mãe não parecia disposta a ouvir.
Nesse momento, Henrique empurrou a porta para entrar: — Helena, você já teve uma noite longa, volte e descanse. Eu cuido da sua mãe.
Restou-lhe assentir e ir embora.
Vendo as costas solitárias de sua filha desaparecendo à porta, o coração de Isabela se contorceu.
— Eu coloquei você no meio de muito sofrimento. — A voz carregada de pesar de Henrique soou em seus ouvidos.
Ela desviou a visão e apertou a mão de Henrique: — Sr. Henrique, não se preocupe comigo, nunca senti um pingo de pena de mim mesma; encontrar você foi a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu. Mas Helena é casada com o homem que comanda a poderosa Família Ferreira. Se o Arthur não permitir, mesmo após o divórcio, que homem na Costa do Mar teria a audácia de tomá-la como esposa?
— Mas isso não significa que devamos permitir que a Helena sofra as consequências de um casamento vazio — opôs-se Henrique.
Ela ficou tristonha ao ouvir essas palavras. Ninguém conhecia melhor que ela como um casamento infeliz torturava as pessoas ao ponto do irreconhecível, e sua voz embargou: — Helena abriu mão de tudo quando decidiu se casar com Arthur. Jamais a autorizarei a assinar aquele maldito divórcio e jogar o Arthur no lixo antes de adquirir suas próprias forças.
— O David acabou de me contar que a Helena já concordou em ingressar no instituto dele, e logo estará a caminho do Vale do Silício para iniciar a pesquisa. — Ele, sabendo que os instintos de mãe de Isabela falavam alto, consolou-a: — Tente não se estressar demais, ela certamente se reerguerá.
…
Helena nunca imaginou que a mãe se intrometeria em sua decisão e rejeitaria a ideia de um divórcio. Encorvada de aflição, caminhava pelo corredor da ala do hospital, até levantar o olhar e notar Enzo Rossi, que estava a uma curta distância.
O Assistente Rui, acompanhando-o, a notou: — Sra. Martins, sua mãe já despertou?
Ela se aproximou: — Sim, ela já despertou.
Ela encarou o homem alto e imponente a seu lado e disse suavemente: — Agradeço sua ajuda, Sr. Rossi.
O homem respondeu casualmente: — Uhum.
Ela sabia que salvar uma vida não é retribuído por um mero agradecimento, e tentou indagar sobre o que ele esperava de sua parte, mas ele apenas retomou sua conversa com o Assistente Rui e se distanciou.
Ainda nervosa com a falta de resposta, deduziu que não havia muito que pudesse cobrar, e no final, ele certamente não exigiria que ela cometesse qualquer atrocidade para fora da lei, certo?
Assim que virou o rosto, notou a aproximação de sua melhor amiga, claramente cansada pela viagem.
Joana Queiroz estava intrigada; o porte daquele indivíduo se assemelhava muito com o de Enzo Rossi.
Contudo, como era possível ele perambular pelas instalações desse hospital ou ter qualquer tipo de elo com Helena?

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