— Helena,
A voz de Enzo subiu, afastando a mão dela: — Você não é médica. Não precisa passar o remédio.
— Ah.
Ela recuou a mão, continuando em tom baixo: — Sobre o que eu perguntei agora pouco, você...
— Para o carro — Enzo ordenou de repente, cortando a conversa dela.
O carro Lincoln preto parou suavemente no acostamento.
Ela o viu descer, confusa: — Aonde você vai?
Ele estava em pé do lado de fora do carro, olhando-a de cima.
Na escuridão da noite, ela não conseguia ver bem sua expressão, mas sentiu sua presença imponente e a raiva que emanava dele.
— Ir ao médico.
O carro dos seguranças, que estava logo atrás, encostou. Ele foi embora sem dizer mais nada.
A porta do carro foi fechada num estrondo.
O coração dela pareceu parar. Seus olhos se encheram de lágrimas, e a mão segurando o cotonete de remédio apertou.
Por que ele ficou tão bravo?
Se ele não desse nenhuma vantagem a Arthur, Arthur não recuaria tão facilmente.
Ela conhecia Arthur muito bem.
E era ele quem estava atacando a empresa do outro sem nenhum motivo coerente.
Quanto a ser ex-marido...
Daqui a um ano ele seria exatamente isso.
Ela não falou nada de errado.
Helena limpou as lágrimas dos olhos.
Talvez ele realmente estivesse indo ao médico.
Não precisava ser, de fato, raiva.
Chegou à Mansão Rossi às 3 da madrugada. O local estava completamente iluminado.
Uma funcionária a conduziu para a mansão principal.
Na sala enorme.
Hugo, Heitor e Clarissa estavam todos presentes.
Senhor Valentim, sentado no centro da sala, olhou para ela: — Por que o Enzo não voltou com você?
— Ele...
Antes que Helena pudesse responder.
Passos apressados, junto a um grito irritado, avançaram na direção dela.
— Como tem cara de pau de voltar para cá!
Helena olhou assustada para Sophia Alencar se aproximando. Jamais havia passado pela sua cabeça encontrar com ela naquele lugar. Sendo empurrada violentamente por Sophia, acabou tropeçando para trás antes de se recuperar.
Instintivamente, estendeu a mão para segurar Rui, que estava ao seu lado.
Mas Rui deu um passo para trás para desviar.
O pânico tomou conta dela.
Até que bateu contra algo sólido nas costas e esbarrou nos olhos calmos de Enzo ao olhar para cima.
Ele a endireitou rapidamente, soltou a mão dela, caminhou até o sofá e sentou-se. Ele parecia muito exausto.
— Avô, ela é uma golpista.
— Ela não se divorciou de Arthur Ferreira e me enganou dizendo que tinha se divorciado, só para... — Sophia começou a choramingar e colocou as mãos sobre a própria barriga. — Para que eu gerasse um bebê para eles usando métodos in vitro.
Helena arregalou os olhos: — Você...
De repente, ficou sem argumentos.
Porque ela realmente havia usado esse pretexto para irritar Sophia.
— Olhem aqui, estas são as provas — Sophia pegou o celular e exibiu as conversas entre elas.
Como ele iria protegê-la?
Ela engoliu o choro e disse: — Eu realmente mandei esses áudios. Mas foi só para irritá-la.
— Nada daquilo é real.
— Eu não queria ter nenhum filho no lugar dela porque eu... — Helena fitou Sophia Alencar e continuou num tom duro: — A odeio.
— Quanto a eu ser infértil... — o volume de sua voz baixou — é verdade.
— Quando esse caso judicial for resolvido, eu assinarei o divórcio com Enzo. — Helena olhou para Senhor Valentim e suplicou: — Mas você poderia, por favor, me deixar continuar a trabalhar no centro de pesquisas?
Senhor Valentim olhou para Enzo com uma expressão confusa.
Enzo levantou-se subitamente e caminhou até ela.
Ela o observou. O olhar escuro dele parecia carregar o peso de uma noite tempestuosa.
O coração dela era como um chão úmido da chuva, sentindo o frio bater na pele e assustando-se com tudo aquilo.
— Já tomou as próprias decisões sem ao menos consultar a mim primeiro?
— Me abandonou assim sem mais nem menos?
— Helena Martins, você ainda o ama, certo?
— Claro que não.
Ela fitou os olhos dele e só conseguiu encontrar aquele olhar que existia na garota: triste e amargurado.
Mas, dessa vez, era ele quem estava a encarando.
— Eu apanhei dele e você ainda passou o tempo todo me pedindo para ajudá-lo. Agora, ouvindo comentários vazios de uma pessoa qualquer, já decidiu querer se divorciar de mim. — Enzo a segurou pelas mãos e a puxou para um abraço.
Ela ergueu o queixo, apoiada nos braços dele, focada apenas nos olhos do homem.
Essa tristeza por ela era verdadeira?
Ou era apenas teatro?
O rosto dela foi carinhosamente segurado e ele curvou a coluna, com os olhos demonstrando tristeza e um cuidado enorme. Ele a questionou como se fizesse uma prece:
— Querida, o que eu sou para você?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Rainha dos Chips: Ex-marido não tem valor
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