Sem hesitar nem um segundo, Summer levantou a mão e deu um tapa forte no rosto de Trevor.
O som seco do tapa cortou o ar pesado, ecoando no silêncio tenso do quarto.
Peyton engasgou, incapaz de conter o choque. “Como você… Como você pode bater no Trevor?”
Mas o homem parecia completamente alheio à dor ardente que se espalhava por sua bochecha, como se nem tivesse sentido.
Ele ficou ali, olhos arregalados, encarando a mulher que já o tinha esbofeteado uma vez e agora ousava fazer isso de novo.
Aqueles olhos escuros queimavam com uma raiva selvagem e ardente, como se um fogo incontrolável tivesse sido aceso dentro deles.
Trevor rangeu os dentes, a voz crua de descrença e fúria enquanto rugia: “Você tem coragem de me bater?”
Summer ergueu o queixo, firme enquanto encarava o olhar dele de frente. “Por que não? Você pode me agarrar, então por que eu não posso te bater?”
O rosto de Trevor ficou de um tom sombrio, como se sua fúria estivesse prestes a transborda. Ele arrastou a língua lentamente pelos molares, então forçou as próximas palavras por entre os dentes cerrados, cada sílaba afiada como vidro quebrado. “Peça desculpas. Pra Peyton.”
Na cabeça do homem, era simples.
Bastaria Summer abaixar a cabeça, admitir o erro e implorar por perdão, e ele deixaria passar.
Ele ignoraria a sujeira no corpo dela, a traição, tudo.
O homem viraria a página e seguiria em frente.
Ele a tornaria sua esposa. Daria o título de Sra. Larson que tantas invejavam.
Por um momento, o coração apertado de Peyton relaxou. Um lampejo de triunfo cruzou seu rosto delicado. Como esperava, Trevor ainda estava do lado dela.
Summer riu. Uma risada curta e cheia de desprezo.
“Eu não joguei água quente naquela mulher”, disse: “Por que eu deveria pedir desculpas? E além disso, eu não sou mais a Summer com quem você brincava. Não mais.”
Trevor sentiu a diferença nela.
Mas o fogo em seu peito consumiu aquele lampejo de percepção, queimando o resto de sua razão e culpa.
Ele a encarou, a expressão dura como ferro.
Summer sabia o quão teimoso Trevor era. Um sorriso frio e debochado curvou o canto de seus lábios.
“Tá bem. Você quer que eu peça desculpas?”, ergueu os olhos, profundos como cacos de gelo negro, enquanto caíam sobre Peyton. Aquele olhar fez um arrepio subir pela espinha dela.
“Já que você diz que fui eu que joguei água em você e quer que eu peça desculpas, então posso muito bem jogar de verdade antes de me desculpar.”
Summer de repente girou nos calcanhares, caminhando decidida até a mesa de centro. Seus movimentos eram rápidos e precisos enquanto pegava uma garrafa de água mineral, desenroscava a tampa num movimento suave e, sem hesitar, balançava o braço. A água fria jorrou da garrafa e encharcou Peyton num instante.
“Ah!”, a mulher gritou, pega completamente desprevenida. O cabelo grudava em seu rosto em mechas molhadas, as roupas ensopadas, a água pingando de seus cílios tão pesadamente que ela nem conseguia abrir os olhos.
Do outro lado, Summer estava com os braços cruzados preguiçosamente na frente do peito, a postura casual, o olhar cheio de desprezo.
“Desculpa”, disse sem emoção, sem um pingo de sinceridade na voz. “Pronto. Satisfeita?”
Nem pensar. Ela deve ter feito algo.
Seus dentes se cerraram enquanto ele a encarava com a intensidade de uma fera pronta para atacar, sua fúria quase palpável.
Mas Summer não tinha medo. Pelo contrário, lhe lançou um olhar irritantemente calmo. Pior ainda, sorriu para ele.
“Como médico”, a moça disse preguiçosamente, o olhar passeando pelo homem como se ele fosse algo grudado na sola do sapato: “Você deveria salvar vidas. Talvez tentar pensar menos em violência e mais em medicina. Embora, pelo seu temperamento, aposto que você não é muito bom nisso também.”
Com isso, passou por ele sem olhar para trás.
Josh entrou correndo no quarto.
Lá dentro, Peyton ainda estava agarrada ao homem, os olhos vermelhos brilhando com lágrimas contidas.
Mas o olhar de Trevor estava fixo na porta aberta, no lugar onde Summer tinha acabado de desaparecer.
Peyton queria correr atrás de Summer e esbofeteá-la até o rosto dela inchar.
Mas não podia. Não com Trevor bem ali. Ela engoliu a raiva, escondendo-a sob uma máscara de tristeza delicada.
“A Summer só estava com raiva. Por isso ela perdeu o controle assim”, mordeu o lábio, lágrimas grudadas nos cílios enquanto olhava para ele com olhos embaçados. “Por você, eu posso perdoá-la.”
Josh virou a cabeça para a moça, a expressão escurecendo. “Você é boa demais”, ele cuspiu. “Essa mulher é uma criatura vil e sem coração! E você ainda tá defendendo? É exatamente por isso que continua te humilhando.”
Ele se virou para Trevor, o tom duro e cortante. “A Summer precisa aprender uma lição. Você não devia deixa-la chegar perto da Peyton. Ela já tá num estado frágil, não aguenta outro choque.”
O homem não respondeu, apenas ficou ali, o corpo inteiro emanando um frio glacial.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Reclamada pelo Sr. Bilionário
Não consigo abrir os capítulos...