Que pergunta é essa? Não foi sempre a favorita entre nós? Nossos pais a mimaram para fazê-la se sentir incluída, fizeram tudo o que queria e negligenciaram o resto de nós. Esse excesso de confiança é nossa culpa. Acho que demos o suficiente, não é? Arrependia-se das palavras que repetia e machucavam Ângela quando era novo e ignorante.
De repente, o rapaz que ainda se recuperava levantou-se, oscilando, seu rosto bonito ficando pálido olhando-a desapontado. “Ela também é minha irmã. Me importo com ela. O que há de errado nisso? Não posso? Só uma merece ser amada?”
Zacarias não entendia o que estava acontecendo. Desde o jantar de aniversário sentia algo estranho brotar em seu coração. Somos irmãos, mas nunca lhe dei atenção, nem sabia que ela odeia flocos de neve, nem sei nada de sua infância. Não só ele, como os pais e os irmãos. Ninguém se importava. Fernanda tornou-se o foco. E então Ângela apareceu em casa outro dia com algumas pessoas, conforme os empregados disseram, com arrogância, e quebraram todos os pertences de sua irmã mais velha. Todos foram rápidos em encontrar o culpado, mas ninguém tentou saber por que as coisas que Fernanda não queria mais estavam no quarto da irmã mais nova.
Na noite anterior, o rapaz levantou-se no meio da noite com sede e não soube por que, mas abriu a porta do quarto de Ângela e descobriu que o cômodo em que a caçula entre eles dormiu por tantos anos havia se tornado um depósito. Era estreito, menor que o seu quarto e o cantos estavam empilhados com todo tipo de coisas. A cama de solteiro velha encostada contra a parede era tão pequena que devia ser desconfortável. Ficou parado à porta, assustado, por muito tempo. Seus pais sempre falaram sobre generosidade, e, mesmo assim, o máximo que faziam era garantir que a filha mais nova não passasse fome.
Naquele momento de arrependimento e autodepreciação, uma onda de emoções inundou todo o seu corpo. Como tive coragem de dizer que nossos pais foram bons? O disse mesmo? ‘Não seja ingrata’. ‘Não brigue com Fernanda por coisas que não lhe dizem respeito’. Zacarias olhou para a irmã com raiva e indiferença, depois virou-se e foi embora.
Fernanda ficou parada, olhando para as costas do irmão com uma expressão sombria e cerrou os punhos, cravando as unhas nas palmas das mãos. Alcançou-o, aflita, e disse: “Ângela te disse alguma coisa? Ou está bravo porque Christopher foi ao baile em vez de ir ao hospital te visitar? Sei que errei, pode me perdoar?”
Samuel, que havia trocado de roupa, desceu as escadas pisando forte, viu-a chorando, por isso correu até ela e perguntou: “Qual é o seu problema, Zacarias? Não está grandinho demais para fazê-la chorar?”
“Samuel...”, a jovem começou a falar, lágrimas escorriam pelo rosto.
Ele cerrou os punhos, sentindo-se desolado, virou-se para o irmão e disse: “Peça desculpas agora!”
Zacarias virou a cabeça, o rosto inexpressivo enquanto os observava.
“Onde aprendeu a se intrometer sem saber a toda a história? Fez a mesma coisa com Ângela antes?”, zombou, o rosto cada vez mais sem vida conforme falava.
Sempre ela! O outro já estava irritado com irmão por fazer Fernanda chorar, e agora estava ainda mais furioso. “Acha que só porque está doente e todos te paparicam pode fazer o quiser? Ficar doente por tanto tempo te fez pensar que é intocável. O que uma coisa tem a ver com a outra? Enlouqueceu?”

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