Ângela ficou surpresa com a pergunta repentina e baixou os olhos quando se desculpou às pressas: “Desculpe. Só tomei uma bebida.”
Sentiu como se tivesse sido pega fazendo algo errado.
Sentindo-se culpada, se comportou com uma obediência excessiva.
“Como é a sua tolerância ao álcool?”, perguntou ele.
O quê?
Tolerância ao álcool?
Pensou que a repreenderia, mas, para sua surpresa, não o fez.
“Normal”, respondeu em tom modesto.
No passado, bebia em virtude das reuniões e negócios promovidos pelo irmão mais velho. Caso precisasse, teria sido capaz de beber mais do que todos aqueles na festa de aniversário desta noite.
Embora sua tolerância a outras bebidas alcoólicas fosse menor, conseguia consumir cerveja sem restrições.
De vez em quando, era possível ouvir o som distante de uma buzina, ou um sedã passando pelo carros deles.
Ao mesmo tempo, ouviu-o sugerir: “Vamos tomar alguma coisa e testar. Seria bom aguentar para evitar problemas caso alguém tente alguma coisa contra você.”
Ângela encarou-o. O jeito de pensar dele sempre foi tão único?
“Claro”, concordou.
Graças ao tempo frio lá fora, a jovem pediu a Oliver para ligar o aquecedor.
O carro estava quente e aconchegante, e uma música suave tocava ao fundo. O ambiente era encantador. Ela havia acordado cedo aquela amanhã, e fora arrastada por Cassie o dia todo, nem teve tempo para descansar.
Sentiu o corpo relaxar, as pálpebras ficarem pesadas e acabou adormecendo.
Seu sono era profundo e, quando o carro virou uma esquina, sua cabeça pendeu e pousou no ombro do marido.
O homem nunca foi adepto a contato físico, por isso vivia sozinho.
A atmosfera no carro ficou silenciosa por um momento.
Jonathan baixou a cabeça, olhando-a encostada nele. Não conseguia ver seu rosto, apenas a cabeleira negra perfumada pairando em suas narinas.
Sua respiração era suave, e, por vezes, quando a postura parecia desconfortável, ajustava sua posição.
Com uma aparência tão dócil, lembrava o gato Angorá branco que ele uma vez teve, delicado e teimoso.
Os costumeiros olhos inexpressivos do homem suavizaram, brilhando como se aquecidos.
O carro freou bruscamente.
Jonathan estendeu os braços, segurando a cintura da jovem adormecida com firmeza, pressionando o corpo pequeno em seus braços.
Depois de estabilizar a ambos, ele baixou a cabeça para olhá-la.
Felizmente, ela não acordou.
“Não consegue dirigir direito?”, questionou Jonathan erguendo os olhos para o motorista.
Oliver se desesperou e explicou depressa: “Tinha uma criança atravessando a rua.”
O corpo do homem no banco de trás enrijeceu, sem lhe dar tempo de questionar o assistente, porque Ângela de repente estendeu os braços e o abraçou de volta, sua cabeça se aninhando em seus braços, emitindo barulhos inquietos, e então adormecendo de novo.
Observou-a, seus cílios tremularam, escondendo a luz fugaz em seus olhos.
Então inclinou e a beijou no topo da cabeça.
No momento seguinte, apertou os braços ao redor dela.
Seu toque fez Jonathan franzir a testa, pois, embora seu corpo fosse macio e esguio, era muito magro.
Pouco depois, Breno voltou a ligar. Já o havia feito várias vezes.

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