Ângela sentiu-se sobrecarregada de culpa ao ver Queiroz.
Ela não pôde deixar de refletir sobre como prejudicou seu próprio primo e o fez carregar uma culpa pelo resto da vida.
Se eu pudesse, me bateria nesse exato momento!
Queiroz estava apaixonado por uma garota há muitos anos, mas Ângela, na tentativa de agradar Jonas, fez o possível para intervir.
No entanto, mais tarde ela descobriu que a garota, na verdade, tinha sentimentos por seu primo e por ter se casado com Jonas, a relação deles ficou tensa.
Enquanto Ângela baixava os olhos e permanecia em silêncio, Queila pensou que ela tinha se magoado, então, tentou consolá-la: “Ei, não fique triste. Meu irmão está apenas de mau-humor. Na verdade, ele adorou que você veio para cá, não é, Queiroz?” Ela o cutucou com o cotovelo e usou os olhos para sinalizar para ele dizer algo agradável.
Queiroz, no entanto, resmungou friamente como se não tivesse visto nada e, sem expressão, entrou na cozinha para ajudar o pai.
Ângela piscou.
Ela não se importava com aquilo, na verdade, se sentia extremamente culpada.
“Não ligue para isso. Esse teimoso trata muito mal as garotas. Não é de se admirar que tenha vinte e poucos anos e ainda não tenha uma namorada!” Helena olhou para o filho com desaprovação.
Quando Queiroz ouviu a palavra “namorada”, seus passos notavelmente pausaram, mas foi apenas por um momento. Ele, então, entrou rapidamente na cozinha após isso.
Queila se aproximou da prima e sussurrou: “Meu irmão está de mau-humor. Parece que a garota de quem ele gosta namora com outro.”
Ângela baixou os olhos e seu rosto ficou pálido.
A família de Diogo não sabia da situação, mas ela sabia muito bem. Queiroz gostava de Felícia, porém, ela namorava Jonas.
E a história tende a se repetir…
Fiz Felícia ficar com meu irmão por achar que os dois combinavam! Tirei do meu primo, a pessoa que ele tanto gostava!
Apesar de tudo, Queiroz não lhe fez nenhum mal, apenas lhe deu as costas. Ele nem ao menos a expulsou, o que era considerado um ato de misericórdia.
Ângela mordeu o lábio e permaneceu em silêncio. Seus grandes, brilhantes e lacrimejantes olhos piscaram.
Bom, eles ainda não estão casados, então talvez dê tempo de mudar essa situação!
Os pratos foram servidos e a mesa estava repleta de iguarias que ela adorava. Ângela ficou tão emocionada que não conseguiu articular uma palavra.
Já se passaram três anos, mas o tio Diogo ainda se lembra dos meus pratos favoritos.
Emília Langdon olhou para a mesa e não pôde deixar de franzir a testa.
“Quantas vezes vou ter que dizer para não preparar tanta comida à noite? Se não conseguirmos terminar, elas irão estragar! Que desperdício!”
Após uma pausa, a idosa prosseguiu: “Vocês jovens não sabem o que é passar por dificuldades. Na minha época, mal tínhamos o suficiente para comer. Agora que os tempos são melhores, não devemos desperdiçar boa comida assim!”
Diogo assentiu e explicou apressadamente: “Mãe, fiz todos estes pratos porque Ângela chegou, e Queila e Queiroz também voltaram para nos fazer uma visita. Não é fácil para eles estarem presentes, então pensei em fazer mais comida. Não será nada desperdiçado, não se preocupe!”
Apesar das suas palavras, Emília continuava com uma expressão séria.
Quanto custa para fazer isso tudo? Com mais uma boca para alimentar, haverá mais despesas.
Ângela terá que nos ajudar enquanto estiver aqui. Ninguém pode apenas comer, beber e viver de graça!
Helena serviu uma tigela de sopa de frango para a sobrinha e a lembrou: “Você está tão magra! Precisa se alimentar mais!”
Sabendo que Ângela sofreu muito na mão dos Kins, a mulher foi ao mercado de manhã e comprou uma galinha. Na hora de cozinhar, ela adicionou tâmaras vermelhas e as deixou no fogo por várias horas.
Só o aroma já era particularmente apetitoso.
A garota tomou uma colher e sorriu. “Tia, suas habilidades culinárias melhoraram muito! Essa sopa está deliciosa!”
Feliz pelo elogio, Helena generosamente adicionou uma concha a mais na tigela da sobrinha e disse: “Já que é assim, pegue mais um pouco. Ainda há muito na panela!”

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