Para surpresa de todos, o rapaz permaneceu calado do outro lado.
Com o passar do tempo, o silêncio começou a parecer sufocante, e Fernanda sentiu como se estivesse em pura agonia. Além disso, achou ainda mais difícil respirar com os olhares intensos das duas mulheres fixos nela.
“Chris?”, chamou com cautela.
“Estou aqui”, respondeu ele. No entanto, como se não tivesse ouvido seu pedido anterior, continuou: “Estou um pouco ocupado no momento. Ligo para você mais tarde.”
Antes que a jovem pudesse dizer outra palavra, a ligação foi encerrada abruptamente.
“Hã?” Fernanda ficou perplexa.
E não foi a única—até Janete enrijeceu em choque.
Flávia soltou uma risada zombeteira, seus olhos examinando sua comparsa enquanto observava: “Foi isso o que quis dizer quando falou que ele com certeza voltaria por ela?”
Janete sentiu os joelhos enfraquecerem.
Por sorte, conseguiu se recompor a tempo e gaguejou: “N-não entendo por que Christopher está se comportando assim...”
“Ha. Você é tão covarde assim?” Flávia acenou com a mão com desdém.
Embora a moça ainda estivesse ansiosa, atendeu às instruções e saiu.
Em sua pressa, Fernanda foi esquecida ali.
A refém tentou se fazer discreta, mas a atenção de Flávia logo foi atraída para ela.
“Pode convencê-lo a voltar?”, perguntou-lhe.
Havia pensado em trazer alguém de volta de Riverdon, mas a distância era muito grande, e ela achava bastante problemático, mesmo que deixasse as coisas para seus subordinados.
Fernanda estremeceu enquanto olhava-a com cautela.
Embora ainda não estivesse certa sobre a identidade da mulher, entendeu, pelos modos respeitosos de Janete, que não deveria enganá-la. Não era alguém a quem podia se dar ao luxo de ofender.
No entanto, seu raciocínio rápido levou-a a descobrir uma oportunidade em potencial.
Ela perguntou com um tom cauteloso e um tanto sorridente: “Tem assuntos importantes para discutir com Christopher?”
Flávia ergueu uma sobrancelha e estudou-a, como se tentasse discernir suas intenções.
Fernanda se permitiu ser examinada e encontrou o olhar da mulher, apesar de sua apreensão.
Algum tempo se passou e, perdendo o interesse, estava prestes a falar quando seu subordinado lhe entregou um documento.
“A Sra. Coolidge deixou isso para trás antes de ir. Disse que esqueceu de te dar”, falou o homem em tom solene, colocando o documento diante de Flávia sem desviar o olhar.
A mulher lançou-lhe um olhar entediado, mas ao perceber que nele continha as informações de Fernanda, voltou sua atenção para a refém ainda sentada no chão, e começou a ler o documento.
A jovem ajeitou-se rigidamente, intrigada com o motivo pelo qual sua pergunta foi desconsiderada tão de repente e mudou seu foco para o documento. Com medo de provocar a mulher, baixou a cabeça em silêncio e esperou.
Minutos se passaram enquanto Flávia folheava os papéis. À medida que as informações se tornavam tediosas, notou numa das seções que a jovem tinha uma irmã chamada Ângela.
Hum?

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