Foi pura sorte o sujeito ter mirado em Ângela, e tudo graças ao incentivo da irmã dela.
Para falar a verdade, ficar de olho em Fernanda pode nos ajudar a determinar a hora exata em que a fiança foi paga, pensou Yuri.
Seu ato preventivo de monitorar Fernanda foi bastante impressionante.
“Sem brincadeira, cara. Você previu que isso aconteceria?” O amigo não podia deixar de admirar sua perspicácia, embora também estivesse intrigado.
O rapaz permaneceu calmo. “Apenas um golpe de sorte.”
Mesmo que tivesse deixado de lado o problema depois de ter sido manipulado por Fernanda, não conseguia se livrar do ressentimento, então a mantinha sob vigilância.
Depois de ver o que ela estava fazendo, sentiu-se menos amargurado.
Joana notou seu comportamento, então desviou as perguntas adicionais de Moacir e mudou de assunto. “Você precisa tomar cuidado, Ângela.”
A garota observou as expressões e a conversa dos amigos, e suspeitou que Moacir devia ter informado Yuri sobre o que acontecera ontem.
Porque, apesar de sua relutância em revelar, o rapaz mostrou uma preocupação genuína com sua segurança em meio à ameaça de Kaique.
O ato atencioso aqueceu seu coração e a fez perceber o poder reconfortante de amigos verdadeiros.
“Sim, mas tenho guarda-costas ao meu redor, então isso não me preocupa”, disse-lhes.
Sequer piscou à menção daquele nome.
Afinal, ele não representava uma grande ameaça. Mesmo as pessoas que trouxe da última vez para confrontá-la eram comuns.
No entanto, se pudesse, não se importaria em usá-lo para dificultar a vida da irmã.
Contanto que lhe contasse tudo, não teria que se preocupar com ela se escondendo atrás dele e agindo com presunção.
Mas, mesmo depois que foi preso, se fez de inocente e não deu nenhuma informação sobre quem poderia estar mexendo os pauzinhos.
Quando Joana lembrou-se da força formidável dos guarda-costas, comentou: “O Sr. Lawson se importa mesmo com você, as pessoas que contratou para te proteger são impressionantes.”
Ela sorriu.
A conversa passou para outros tópicos, mas de repente, Yuri recebeu um telefonema e teve que sair.
“O que foi?”, perguntou a garota.
O rapaz disse: “Minha avó está doente. Pode avisar aos professores que não vou ficar para as aulas da tarde?”
Ângela assentiu.
Depois que ele partiu, Moacir suspirou. “A avó dele está mal. Espero que ela aguente...”
Todos sentiram a preocupação não dita.
O rosto de Joana ficou tenso com a notícia e Ângela também não conseguiu se livrar do desconforto.
O grupo terminou o almoço e seguiu caminhos separados.
Ângela fez conforme o amigo lhe pedira antes de ir para a sala de aula.
Ao entrar, notou Thiago e Lara esperando-a.
Pareciam ansiosos. A colega cumprimentou com um sorriso e disse: “Cadê Yuri?”
O tom excessivamente amigável não a interessou muito, então franziu um pouco a testa e respondeu: “Precisou ir embora.”
A expressão dela ficou tensa.

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