Ângela se sentava para comer atordoada de encanto. Não conseguia se livrar das palavras macias de Jonathan, dos seus olhos profundos e cheios de alma. As bochechas queimavam, e ela sentia uma leve tontura.
De repente, um risinho suave a trouxe de volta à realidade, lembrando-a de que encarava o marido enquanto navegava a própria mente. Envergonhada, lançou-lhe um olhar antes de recuperar a compostura.
Ele deu um leve sorriso, aceitando na esportiva a gentil repreensão. Ao contrário da noite anterior, não tinham buscado privacidade; Wellington tinha convencido Flávia a ir embora. Com ninguém a observá-los, sentiu-se mais relaxada durante o exame de hoje.
“Como foi o seu dia?”, perguntou o marido casualmente, lhe servindo um prato.
Embora confiante, permaneceu humilde: “Correu bem.” Outro teste estava agendado para a tarde, marcando o último passo do processo de seleção.
Os resultados seriam entregues hoje sem demora. Conforme o prazo se aproximava, a moça sentia uma pontada de ansiedade. Apesar de saber do apoio inabalável de seu amado, não conseguia suprimir os nervos.
Jonathan percebeu o desconforto: “Estou aqui para o que der e vier.”
As palavras a ancoraram. Passando um prato para ele, mudou sutilmente de assunto: “Vamos comer.” Hoje, não estava no clima para sua conversa encantadora.
“Entendido.”
Mas sentiu que havia mais em seu silêncio; só seu olhar era suficiente para fazer seu coração palpitar. Num torpor sonhador, quase imaginou ver uma nuvem de bolhas cor-de-rosa dançando ao redor dos dois.
Enquanto isso, o caos reinava supremo entre os Shelton. Flávia estava envolvida num acalorado debate com dois parentes mais velhos enquanto uma multidão de familiares e convidados assistia estarrecida.
Os rostos severos dos anciãos mostravam desaprovação, desejando silenciar a insolente mulher de imediato.
Mas era a herdeira, e se manteve firme no salão da mansão, cercada pelos espectadores curiosos.
“Está equivocada. Alguém está te alimentando com mentiras.” Gustavo tentou acalmá-la, falando gentilmente.
Seu olhar permaneceu gelado ao retrucar: “Se acha que é um engano, vamos esclarecer isso agora mesmo.”
“Como assim, esclarecer?” O sorriso do tio vacilou, mas com tantos olhos observando, fez-se de sonso. Antes que a mulher pudesse responder, acrescentou: “Vamos conversar depois, em particular.”
As palavras indicavam o fim da festa para já. Os demais convidados perceberam a intenção, mas ficaram quietos, trocando olhares significativos.
O riso forçado do idoso começou a desaparecer. Mas Flávia não recuou: “Sozinhos? Tio Gustavo, está tratando o Tio Quintus e os outros como estranhos?”
Um homem de meia-idade no salão arqueou uma sobrancelha, os que estavam ao seu lado pareciam surpresos.
O velho suspirou: “Quintus não é um estranho. Diga-me, como sugere que verifiquemos?”
“Quero confirmar a morte do meu irmão, ver se foi envenenado ou não”, falou com confiança e escolha de palavras deliberadas.
“Ele já foi cremado. O que mais podemos fazer?” Outro tio interveio.

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