“E?” Ângela inclinou a cabeça. Ela ficou um pouco surpresa que Scarlet não entrou em erupção ao ouvi-la, pois não combinava muito com sua personalidade. Mas, novamente, sua mãe sempre a tratou como uma estranha, enquanto James e Zacarias eram seus filhos queridos. Era típico para ela defendê-los.
“Então, se apresse e venha comigo para salvar Zacarias!” A pele de Scarlet estava muito mais pálida e abatida do que antes, sem saber se era devido à raiva com James. Quando mencionou o filho, havia uma urgência evidente em seus olhos. Parecendo não querer dizer mais nada a Ângela, ela se levantou abruptamente do sofá e se dirigiu para a escada.
“Sente-se.” A jovem calmamente parou suas ações.
Scarlet ficou um pouco descontente ao ouvir suas palavras. Mas, considerando seu propósito, ela suprimiu seu descontentamento e se sentou no sofá.
Vendo Ângela ainda de pé na escada, ela disse: “Por que você não desce e vem conversar?” Mais cedo, ela estava muito impaciente, falando com a filha antes mesmo de descer as escadas.
Scarlet não esperava que ela parasse na escada. Ambas estavam conversando há um tempo, mas a jovem não desceu mais nenhum degrau.
“Estou bem aqui”, disse Ângela claramente. “Você estava gritando comigo antes mesmo de eu chegar, então não há necessidade de eu descer agora.” Ela olhou ao redor, depois observou o rosto da recém-chegada, achando sua expressão divertida.
A mais velha pensou que havia escondido bem seus pensamentos, sem saber que a filha podia ler sua expressão como um livro aberto. E ela se contentou em ficar onde estava. Embora não fosse tão resistente a Scarlet como antes, ainda não queria se aproximar muito.
Essa distância era boa. Ângela na escada e sua mãe embaixo. Se não houvesse necessidade de continuar a conversa, ela poderia sair a qualquer momento e mandar alguém escoltar a visitante para a saída.
O rosto de Scarlet endureceu por um momento, e um lampejo de descontentamento surgiu em seus olhos. Mas ela rapidamente suprimiu sua irritação e disse: “Tudo bem, se é assim. Mas eu disse o que precisava dizer. Desça rápido e me ajude a salvar Zacarias!” Enquanto falava, seu rosto se suavizou, usando um tom bondoso, como se adorasse sua filha.
Ouvindo-a falar em tal tom, Ângela não pôde deixar de sentir náuseas. Ela riu: “Desde quando eu concordei em salvá-lo?”
A suavidade no rosto de Scarlet desapareceu instantaneamente, substituída por uma expressão tensa quando perguntou: “O que quer dizer com isso? Você não vai salvar seu irmão? Ele é o seu irmão!” As mesmas velhas palavras e o mesmo velho senso de direito, a história se repetia mais uma vez.
A mais nova a olhou calmamente e perguntou: “O que ganho ao salvá-lo?” A última vez que ela salvou Zacarias, foi apenas para tirar Fernanda da Família Kins. Scarlet não se esqueceu disso, não é? Mesmo que os Kins não aderissem totalmente às suas condições, ainda era um acordo direto.
“O que você ganha?” Scarlet não podia acreditar em seus ouvidos, e seus olhos estavam vermelhos de descrença. “Você quer algo para salvar seu irmão?”
“Diga-me então, o que meu irmão já fez por mim?”, retrucou Ângela, claramente. “Por que eu deveria salvá-lo se não recebo nada em troca? Devo alguma coisa a ele?”
Ela não devia nada aos Kins, especialmente a Zacarias, que só conseguiu sobreviver da última vez por sua generosidade. Scarlet ficava dizendo que ele era seu irmão, mas o que o rapaz havia feito por ela? A via sendo intimidada por Fernanda? Ficava no caminho quando ela procurou justiça com a irmã? Ela não tinha um irmão assim, nem desejaria.
Os Kins declararam explicitamente que Fernanda era sua única filha enquanto ela não era nada. E mesmo que a menina tivesse cometido um erro tão grande, sua família não fazia nada com ela, apenas a apoiavam incondicionalmente. Toda vez que pensava nessas coisas, Ângela se sentia desanimada e ridícula.

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