O nome do homem rude.
Ele está aqui outra vez. Caminha até o balcão com uma expressão indecifrável, mas os olhos brilham de um jeito perigoso.
Aquele puxão que senti na primeira vez que o vi parece ainda mais forte. Irritante e impossível de ignorar.
Quero dar as costas e fingir que ele não existe, que nem mesmo o conheço, mas não consigo esquecer como foi rude na primeira vez.
Meu turno está chegando ao fim, e hoje não vou ficar até tarde, nem que me obriguem. Meu ciclo está por vir, e o desconforto da cólica já começa a se manifestar.
Eddie percebe minha expressão desgostosa, mas o atende, enchendo as canecas. Ainda assim, ele não vai embora.
— É nova na cidade? — Ouço a pergunta e quase admiro a falta de vergonha dele.
Primeiro, me humilha. Agora, quer saber da minha vida.
— Se não me responder, perguntarei a Eddie — pressiona.
— É assim que manipula as pessoas para conseguir o que quer? Parece coisa de valentão.
— Estou tentando conversar com você — se defende, e eu solto uma risada incrédula.
— Sim, sou nova na cidade, pela segunda vez: e não é da sua conta.
Eddie suspira. Quase sinto pena dele. Tem sido um bom chefe, e, pelo que percebi, nutre algum tipo de respeito distorcido por esse homem. Mas, honestamente, não dou a mínima.
Não vou aceitar merda de ninguém.
— Meu nome é Malachi Fenrir — diz, sua voz um sussurro que desliza pela minha pele como seda. — É um prazer conhecê-la.
— Não posso dizer o mesmo — balbucio, disposta a encerrar a conversa. Vou atender o próximo cliente.
A Taverna — que, na verdade, é um bar rústico com boa bebida e petiscos — está com um movimento razoável, mas acredito que Eddie conseguirá lidar com o resto da noite sem mim.
Termino de secar os copos e limpar o balcão, torcendo para encontrar uma farmácia 24 horas. Preciso de absorventes. E vou me dar o luxo de comprar alguns chocolates.
— Aqui, Elise. — Eddie me entrega o pagamento do dia, e agradeço sutilmente. Trabalhar aqui não tem sido extremamente agradável, mas o salário é bom, e Eddie, muito gentil. — Tome cuidado, sim?
A criatura vira e dispara em uma corrida anormal na direção da floresta, a poucos metros dali. Suas patas quase não fazem som ao tocar o chão.
Sinto as pernas fraquejarem, mas forço-me a testar sua força. Quando me sinto minimamente confiante, começo a correr, percorrendo os dois últimos quarteirões muito mais rápido do que o normal.
Ao chegar à porta de casa, minhas mãos tremem enquanto procuro as chaves na bolsa. A sensação de ser observada ainda está lá, pesada, sufocante. Respiro fundo, tentando controlar o pânico que ameaça tomar conta. Finalmente encontro as chaves, mas ao encaixá-las na fechadura, uma sombra se move na periferia da minha visão.
Viro bruscamente, o coração martelando no peito. Não há nada. Apenas o vento brincando com as folhas secas no chão. Mesmo assim, não consigo ignorar o arrepio que percorre minha espinha.
Entro em casa rapidamente e tranco a porta, girando todas as trancas. Encosto na madeira fria, respirando fundo.
— Calma, Elise, foi só a sua imaginação. — Digo a mim mesma, embora minha mente insista em repassar a imagem do lobo. Aqueles olhos. Aquele tamanho incomum.
A sala está mergulhada no silêncio. Ana não está em casa, o que não é surpresa, mas hoje isso me incomoda. Vou direto para o banheiro e ligo o chuveiro, deixando a água quente cair sobre meus ombros tensos.
Depois do banho, visto uma roupa confortável e vou para a cozinha, pegando um dos chocolates que comprei. O doce derrete na boca, mas não acalma os nervos. Decido ignorar o que aconteceu e focar no que realmente importa: descansar. Amanhã será outro dia.
Me jogou na cama depois de colocar meu velho celular para despertar. Mesmo assustada, pego no sono rápido e a última coisa que me lembro é de ouvir um uivo imponente ecoando pelo ar.

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