— Neste simulado mensal, uma aluna da nossa turma alcançou a marca impressionante de 735 pontos, gabaritando quatro matérias. Alguém arrisca palpitar quem foi?
— Tainá!
Todos responderam em coro.
Enquanto os outros exibiam sorrisos radiantes, o coração de Laura afundava como uma pedra.
Como assim, 735 pontos? Como diabos ela conseguiria superá-la?
Recebendo os olhares de pura admiração, Tainá se levantou com um sorriso ameno. — No almoço de hoje, vou bancar uma rodada de coxinhas para todo mundo.
Vamos progredir juntos e garantir que no vestibular do ano que vem, todos nós tenhamos notas excelentes.
Isso mesmo. O vestibular do ano que vem era o que realmente importava.
Não havia motivo para invejar os outros; focar nos estudos e dar o melhor de si era o único caminho lógico daqui para a frente.
Alguns alunos que não tinham ido tão bem despertaram de seu torpor instantaneamente.
— Aê!
A turma comemorou em uníssono.
— Coloque o meu na conta também!
O professor Fábio, agora ciente de que Tainá estava longe de ter problemas financeiros, decidiu entrar na brincadeira.
— Fechado. E todos os outros professores também estão convidados — respondeu ela, com um brilho nos olhos.
Sem perder tempo, Tainá ligou para a lanchonete do colégio e pediu para a equipe preparar o pedido.
Na verdade, o cardápio dali não era nada exorbitante. Uma coxinha grande e bem recheada custava em torno de oito reais.
Para uma turma de cinquenta alunos e mais os professores, a conta não passaria de quatrocentos reais.
Era um preço irrisório para comprar a alegria e unir o espírito de toda a sala.
Ana cutucou o braço de Tainá levemente. — Não paga para aqueles ali.
E apontou com o queixo para a panelinha que costumava andar com Laura.
— Deixa para lá. Vai que um lanche de graça é o que falta para eles tomarem distância de Laura de vez — Tainá retrucou com naturalidade.

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