Apenas seria necessário realizar a avaliação estrutural com os fiscais responsáveis.
Tainá sabia que sua aparição e a de Gustavo os colocariam no centro das atenções.
Como evitar isso?
Ela pegou o celular e ligou para o homem responsável por monitorar o terreno.
— Dê um jeito de avisar aos moradores que venderam as casas que o Martim Torres está na área.
Se fosse bem executado, isso desviaria toda a atenção do público.
Martim nem havia terminado de descer do carro quando foi cercado por uma multidão enfurecida.
— Devolva a minha casa!
— Você não vai levar o nosso dinheiro da desapropriação!
Os seguranças formaram uma barreira ao redor de Martim e rapidamente ligaram para a polícia.
Não havia como dialogar com aquela horda em fúria.
Como esperado, todos os olheiros presentes tiveram a atenção roubada pela confusão...
Tainá e Gustavo, aproveitando que ninguém os via, levantaram os capuzes de seus casacos e entraram discretamente no Escritório de Demolição e Reassentamento.
Enquanto isso, os espiões das corporações ligavam freneticamente para seus respectivos chefes.
Os figurões, do outro lado da linha, estavam ávidos por fofoca e correram para o Fórum de Valenúbia (o Círculo da Elite de Valenúbia) para dar seus palpites.
"O quê? Quer dizer que foi o Martim Torres quem comprou a antiga fábrica?"
"Agora faz sentido. Dias atrás ouvi rumores de que o novo dono do terreno era da Família Torres."
Apenas não haviam suspeitado de Martim porque o viram procurando o departamento de terras e pensaram que ele também estava atrás de informações, não que já fosse o dono.
"Então o que ele foi fazer no departamento imobiliário semana passada?"
"Foi comprar o silêncio do responsável, claro! Para ele não abrir a boca."
"Que raposa velha! Comprou tudo e ainda tentou se fazer de sonso."
"Não é à toa que o funcionário não abria a boca por nada, nem com propina."
...
Longe de toda a especulação, Tainá e Gustavo negociavam intensamente com a equipe da desapropriação.
— Certo, certo. Diga seu valor. Quanto querem a mais?
Gustavo tomou a frente:
— Sendo honesto, fechar negócio conosco poupa um trabalho infernal a vocês. Pela área e número de estruturas, se fossem calcular como propriedade rural individual, passaria fácil desse valor. E vocês teriam que negociar casa por casa. Vamos facilitar para os dois lados: cheguem num número justo ou nós vamos pedir uma auditoria com outra equipe de demolição.
— Qual o limite de vocês, então?
Gustavo abriu a mão.
— Mais cinquenta milhões.
— Vocês estão querendo arrancar o nosso couro!
Tainá interveio:
— Vamos fazer o seguinte: baseando-se no que o Gustavo disse, a gente fecha com um desconto de cinco milhões. Não baixo um centavo a mais.
Ainda assim, os fiscais pareciam engasgados.
— Qual o valor máximo que vocês têm autorização para liberar? — pressionou Tainá. — Eu detesto enrolação. Se o valor for justo, fechamos o contrato agora mesmo. Se não, estamos indo embora.

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