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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 186

Quando as notificações pipocaram nas telas dos celulares, os capangas arregalaram os olhos de cobiça. Contaram meticulosamente: um, dois, três, quatro zeros. Dez mil limpos de uma tacada só.

O dinheiro havia caído no colo com uma facilidade grotesca. Com aquela grana, poderiam viver na luxúria pelas próximas semanas.

Naquela economia, um engravatado cheio de diplomas mofava num escritório para tirar metade disso. E os coitados nos canteiros de obras derramavam suor sangue para mal levarem um salário mínimo.

A criminalidade, por mais podre que fosse, continuava sendo o caminho mais curto para a riqueza rápida.

Com o sangue fervendo e as contas bancárias cheias, o grupo sentiu o ânimo inflar.

— O mestre Cicatriz não perde uma oportunidade de ouro!

O trabalho sequer começara e o prêmio já descansava seguro.

O pânico de uma temporada atrás das grades sumira completamente.

— O senhor disse o quê agora há pouco? Que ganhamos dois mil de bônus por cada bicicleta destruída?

— E que a gente leva mais dez mil cada um quando o serviço terminar?

— Exatamente. Mesmo se a viatura nos alcançar, vamos tomar no máximo uns dias de cela. O dinheiro fica no banco, e como a multa por destruir um veículo é só mil, a gente continua lucrando mil em cima de cada um.

— É isso mesmo! Se ninguém ver, é dinheiro fácil. Se formos parar na delegacia, ainda enchemos os bolsos e dormimos uns dias num beliche do Estado.

Acordo selado, o bando entrou em ação.

A tática era metódica: encontravam as bicicletas, pagavam o depósito, liberavam o cadeado e as levavam pedalando até um beco deserto e sombrio. Deixavam-nas ali e repetiam o processo pela região para amontoar os alvos num só lugar.

Destruir mais veículos significava multiplicar os dois mil reais infinitamente. Onde mais encontrariam um negócio tão espetacular?

Enquanto empurravam o terceiro lote para o esconderijo, avistaram um senhor de meia-idade já escaneando o código de uma bicicleta próxima.

— Larga isso aí!

Filha da mãe! O trabalho desgraçado de acumular o estoque e um estranho resolve passear?

— Por que eu deveria largar? As Bicicletas Compartilhadas são públicas. Eu paguei o depósito, qualquer um tem o direito de pedalar.

— Essas carroças já têm dono, nós trouxemos elas para cá. Cai fora!

— E por qual motivo? Por que vocês estão estocando dezenas de bicicletas em um beco para impedir o acesso de outras pessoas?

O sol já havia se despedido completamente. O cair da noite cobria a cidade com um manto escuro e protetor.

— Chega, rapaziada. O que temos aqui já garante a noitada. Se a gente esticar mais, acaba engasgando.

Cada delinquente havia executado seis viagens, arrastando cinco veículos por vez. O lote final, empilhado nas sombras, somava trinta bicicletas.

Dois mil por estrutura estilhaçada. Trinta vezes dois... um prêmio monumental de sessenta mil reais, rendendo cerca de doze mil para cada membro da operação.

Se adicionassem os dez mil iniciais e a segunda parcela prometida, o lucro ultrapassaria os trinta mil reais líquidos! Um proletário de carteira assinada mal veria essa fortuna depois de suar por seis meses inteiros!

Quando os marginais sacaram as pesadas marretas de aço de dentro de mochilas sujas, o observador confirmou sua teoria. Aqueles selvagens planejavam dizimar toda a frota!

O homem pegou o celular, as mãos trêmulas de urgência, e discou apressadamente para o número de emergência da empresa...

Coincidentemente, no segundo exato em que a primeira pancada ressoou, os sistemas de segurança instalados nos veículos emitiram um alerta estridente para a central de monitoramento.

Quando os técnicos da equipe de manutenção correram para contatar as autoridades, foram informados de que uma denúncia civil já acabara de ser protocolada. Com as coordenadas exatas brilhando no painel, as viaturas já estavam rasgando o asfalto em direção ao beco.

— Todo mundo parado! Mãos para o alto, agora!

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