Quando as notificações pipocaram nas telas dos celulares, os capangas arregalaram os olhos de cobiça. Contaram meticulosamente: um, dois, três, quatro zeros. Dez mil limpos de uma tacada só.
O dinheiro havia caído no colo com uma facilidade grotesca. Com aquela grana, poderiam viver na luxúria pelas próximas semanas.
Naquela economia, um engravatado cheio de diplomas mofava num escritório para tirar metade disso. E os coitados nos canteiros de obras derramavam suor sangue para mal levarem um salário mínimo.
A criminalidade, por mais podre que fosse, continuava sendo o caminho mais curto para a riqueza rápida.
Com o sangue fervendo e as contas bancárias cheias, o grupo sentiu o ânimo inflar.
— O mestre Cicatriz não perde uma oportunidade de ouro!
O trabalho sequer começara e o prêmio já descansava seguro.
O pânico de uma temporada atrás das grades sumira completamente.
— O senhor disse o quê agora há pouco? Que ganhamos dois mil de bônus por cada bicicleta destruída?
— E que a gente leva mais dez mil cada um quando o serviço terminar?
— Exatamente. Mesmo se a viatura nos alcançar, vamos tomar no máximo uns dias de cela. O dinheiro fica no banco, e como a multa por destruir um veículo é só mil, a gente continua lucrando mil em cima de cada um.
— É isso mesmo! Se ninguém ver, é dinheiro fácil. Se formos parar na delegacia, ainda enchemos os bolsos e dormimos uns dias num beliche do Estado.
Acordo selado, o bando entrou em ação.
A tática era metódica: encontravam as bicicletas, pagavam o depósito, liberavam o cadeado e as levavam pedalando até um beco deserto e sombrio. Deixavam-nas ali e repetiam o processo pela região para amontoar os alvos num só lugar.
Destruir mais veículos significava multiplicar os dois mil reais infinitamente. Onde mais encontrariam um negócio tão espetacular?
Enquanto empurravam o terceiro lote para o esconderijo, avistaram um senhor de meia-idade já escaneando o código de uma bicicleta próxima.
— Larga isso aí!
Filha da mãe! O trabalho desgraçado de acumular o estoque e um estranho resolve passear?
— Por que eu deveria largar? As Bicicletas Compartilhadas são públicas. Eu paguei o depósito, qualquer um tem o direito de pedalar.
— Essas carroças já têm dono, nós trouxemos elas para cá. Cai fora!
— E por qual motivo? Por que vocês estão estocando dezenas de bicicletas em um beco para impedir o acesso de outras pessoas?

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